Bensafrim | Dos menires a vila
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Bensafrim |
Dos menires a vila

A 12 de junho, Bensafrim celebra 18 anos de elevação a vila. A localidade, em tempos destruída pelo mais violento terramoto de que há registo em Portugal, tem origens na pré-história e guarda a sepultura de um guerreiro.

É no tempo da pré-história que Bensafrim, que a 12 de junho comemora a maioridade enquanto vila, “começa a ganhar importância”. Há vestígios do Megalitismo, reveladores de um povoamento inicial. “Os menires como o da Cabeça do Rochedo e o do Monte da Rocha”, aponta o historiador Artur de Jesus, são exemplos de grandes construções em pedra que datam do Neolítico. Tinham funções ligadas à espiritualidade. “São mais ou menos os avós das nossas igrejas.”

Conta-nos a história de Bensafrim que, mais tarde, num sítio chamado Fonte Velha, “foi descoberta uma pedra de sepultura de um guerreiro, utilizando uma escrita conhecida como a escrita do Sudoeste”, que terá sido usada entre os séculos VII e V a.C. “Também foi descoberto um disco de ouro muito antigo, que faz parte do património mais antigo da localidade”, acrescenta Artur de Jesus, sobre a vila cujo nome se presume ser de origem muçulmana.  

Sobre Bensafrim sabe-se ainda que foi visitada pelo Infante Dom Henrique em janeiro de 1458. O “pai” dos Descobrimentos assinou duas cartas durante a estadia, a 19 e a 21 desse mês. “Posteriormente, no século XVI, já existia a igreja dedicada a São Bartolomeu, que é o padroeiro.”

Por volta do ano de 1600, a povoação tinha apenas 40 moradores. “As casas da aldeia foram todas destruídas pelo terramoto de 1755. Três anos depois, em 1758, havia ali 339 pessoas”, relata o historiador.

Bensafrim vivia da agricultura e a população distribuía-se por pequenas casas conhecidas por “montes”. Produzia-se trigo, milho, centeio, figos, cevada e vinho. Havia também criação de gado, sobretudo vacas, cabras, porcos e burros. “Existiam ainda muitas colmeias, era um centro produtor de mel, e caçavam-se vários animais. Javalis, lobos, veados, perdizes e muitos coelhos andavam pelo campo.”

As práticas agrícolas e agropecuárias mantiveram-se durante muitos anos. “E duram até aos nossos dias”, observa Artur de Jesus. “Ainda hoje temos pessoas a produzir mel na zona, por exemplo.”

Ventos fortes e elevação

Terra conhecida pelo vento e frio no inverno, e pelo calor extremo no verão, Bensafrim era atravessada pela estrada que ligava Lisboa a Lagos. Em 1958, é inaugurada uma grande obra que lhe atribui importância acrescida: a Barragem da Bravura, cuja água servia para regar os campos da zona e para consumo doméstico, abastecendo os concelhos de Lagos e Portimão. A barragem tinha ainda outra função – “alguns pioneiros do windsurf, de Sagres, serviam-se dela para fazer treinos” quando não tinham boas condições no mar.

A história mais recente fica marcada pela elevação a vila, em 2009, através da Lei n.º 44/2009, de 3 de agosto. A lei foi aprovada a 12 de junho, pela Assembleia da República, promulgada a 20 de julho e publicada por despacho do Presidente da República, tendo sido referendada no mesmo dia.

Bensafrim celebra o 18.º aniversário da elevação a vila com uma grande festa que junta animação musical de Tiago Rodrigues, marchas populares, tasquinhas, doçaria, artesanato e porco no espeto.

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