Há cinema na Biblioteca | Do Algarve para a tela
Há cinema na Biblioteca | Do Algarve para a tela

Há cinema na Biblioteca | Do Algarve para a tela

A Biblioteca Municipal de Lagos projeta, a 9 e 10 de junho, cinema feito com a contribuição de algarvios. Na segunda edição da mostra anual de cinema português, está em destaque o trabalho feito por lacobrigenses que têm dado cartas na sétima arte.

Lagos está no cinema de diferentes formas: há filmes rodados no concelho; a indústria cinematográfica conta com profissionais oriundos da cidade. Foi este o critério principal para a escolha dos filmes que, a 9 e 10 de junho, são mostrados na Biblioteca Municipal de Lagos, organizadora do ciclo “Há cinema na Biblioteca”, uma iniciativa anual dedicada ao cinema português.

Não se trata, porém, de uma simples projeção. Os lacobrigenses envolvidos nas obras mostradas estão presentes nas sessões para conversas sobre o trabalho que fazem. “Este ano trazemos um argumentista, um ator, e também um argumentista/realizador”, resume Ânia Bento, responsável pela curadoria. “A ideia é mostrar que há artistas locais que estão a fazer coisas lá fora e, com isto, tentar trazer as pessoas à sala.” A também realizadora acredita que a identificação das pessoas com um espaço, uma história ou uma pessoa “cria curiosidade e vontade de ir ao cinema”.

O ciclo arranca com “A Fada do Lar”, de João Maia, um filme de 2022 centrado em Vera, uma mãe solteira que é obrigada a ter dois trabalhos para sobreviver depois do pai dos seus filhos ter desaparecido. “O argumentista, André Guerra dos Santos, é de Bensafrim”, contextualiza Ânia Bento. Nascido em 1990, Guerra dos Santos estudou Representação, Psicologia e Realização antes de se dedicar à escrita de guiões.

A 10 de junho, à tarde, a Biblioteca recebe o realizador Pedro Noel da Luz Guerreiro e três curtas-metragens da sua autoria. Em “A Arte Xávega”, a câmara registou o sistema de pesca artesanal em vias de extinção que continua a ter expressão na Meia Praia. Já “ABC da Nossa Vida”, é um documentário sobre a preparação da peça homónima de Jean Tardieu, encenada por Duval Pestana durante o verão de 2006, apresentada em julho desse ano no Centro Cultural de Lagos.

A terminar a sessão de curtas de Pedro Noel da Luz Guerreiro, é exibida “M-PEX Fusões”, uma produção sobre a sonoridade instrumental da guitarra portuguesa, mas também uma homenagem ao avô, que influenciou o realizador. O filme foi rodado em Lagos e tem como pano de fundo o mar, o farol, as gaivotas, os barcos e a costa marítima. “Vai trazer memórias, vivências de outro tempo, o que acho muito interessante.”

Ficar a saber mais

O ciclo termina na noite do dia 10 com a presença de um ator que integra o elenco de “Listen”, de Ana Rocha de Sousa. Ruben Garcia é um dos atores do drama que conta a história de uma família de imigrantes portugueses que vive em Londres e tenta, com dificuldade, equilibrar a sua vida financeira e pessoal. Porém, um incidente faz com que os pais percam a guarda dos filhos, o que dá início a uma longa batalha jurídica. “Não é um filme que se passa em Lagos, passa-se em Londres, mas é com um filho da terra”, salienta Ânia Bento. Nascido em 1978, Ruben Garcia estreou-se no teatro através do TEL – Teatro Experimental de Lagos.

A curadora espera que a presença de convidados conhecidos em Lagos permita conversas pós-sessão muito produtivas. “Ao trazermos alguém que as pessoas identificam e conhecem, será mais fácil desbloquear uma certa timidez das pessoas” na altura de colocarem perguntas. Mais do que uma mera ida ao cinema, pretende-se que o ciclo contribua para que se fique a saber mais sobre a sétima arte: “o processo da criação da personagem, como é estar num set de rodagem e como funciona o mundo do cinema”.

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