Oleanna | Um conflito sem respostas certas
Oleanna | Um conflito sem respostas certas

Oleanna | Um conflito
sem respostas certas

De um encontro entre uma aluna e um professor nasce um choque entre géneros e uma inversão de poder. “Oleanna” é apresentada pela ACTA no Centro Cultural de Lagos a 22 de maio. Promete-se uma peça de teatro à qual ninguém fica indiferente.

“Seja qual for a conclusão a que você chegue, está errada.” A frase é de David Mamet, autor da peça “Oleanna”, e é citada pelo ator e encenador Luís Vicente para nos falar do desfecho desta história – ou seja, é uma história com muitas conclusões possíveis. Tudo depende de como se sente um texto que aborda um assunto delicado, carregado de simbolismo.

Luís Vicente conta que viu a peça pela primeira vez há 11 anos, no Brasil. Não ficou particularmente entusiasmado com a forma convencional como foi apresentada, demasiado realista: um gabinete de um professor, uma secretária, um computador, um telefone, uns papéis, duas cadeiras para as personagens. Foi por insistência de um colega com quem então assistiu à peça que decidiu revisitar o texto.

“À luz daquilo que são os meus conceitos, fazer o espetáculo numa perspetiva realista iria fazer com que perdesse muito do lado simbólico que o texto tem”, conta o encenador da peça da ACTA (A Companhia de Teatro do Algarve). “Oleanna”, contextualiza, reporta-se a uma colónia criada no século XIX na Pensilvânia, nos Estados Unidos, por um norueguês de nome Ole, destinada a imigrantes da Noruega. O projeto correu mal. “David Mamet resolveu pegar neste caso para dar título à peça que escreveu, sendo que na peça existem duas criaturas, uma do sexo masculino e outra do sexo feminino, que entram em conflitualidade. É uma conflitualidade que é decorrente da circunstância em que cada um se encontra, porque não se encontram os dois na mesma circunstância.”

Ele ou ela?

Dividida em três momentos, a peça começa com a visita de uma aluna a um professor, para lhe dizer que não concorda com a nota que ele atribuiu ao trabalho que fez. “O professor responde-lhe que ela tem de estudar e de encontrar o seu próprio rumo, mas, a dada altura, disponibiliza-se para a ajudar”, explica Luís Vicente, que contracena com a atriz Tânia Silva. Nesse processo de apoio, a aluna entra em desespero e, em determinado momento, o professor abraça-a. E assim termina o primeiro momento do espetáculo. Depois, a aluna volta ao gabinete do professor para lhe comunicar que vai fazer queixa dele porque a assediou. Num terceiro momento, o professor chama a aluna porque se viu na circunstância de vir a ser despedido na sequência da queixa apresentada.

“É uma situação que hoje tem um relevo muito maior do que tinha quando vi o espetáculo pela primeira vez”, observa. No conflito que se cria e na inversão da lógica de poder, é possível encontrar outros significados que vão além da história aluna-professor. “Do ponto de vista cenográfico, procurámos encontrar elementos simbólicos”, diz o encenador, que tenta afastar-se cada vez mais da perspetiva realista para que se crie “uma simbologia que possa chegar a outras leituras”.

A ACTA apresentou “Oleanna” em Portugal e também em Espanha. Em ambos os territórios, o público não ficou indiferente, tomando partido por uma das personagens.

“A interpretação final em Espanha é diferente da interpretação em Portugal. Já nos aconteceu, aqui em Portugal, no final do espetáculo, o público insultar a atriz.” Já do outro lado da fronteira, o público opta por defender a personagem feminina.

“Procurei salientar aspetos que não nos permitam facilmente tirar uma conclusão”, remata Luís Vicente, regressando à ideia do autor do texto. De quem é a culpa? Há um culpado para este conflito? Já sabemos: “Seja qual for a conclusão a que você chegue, está errada”.

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