Moura | Música para deixar ir o coração
Moura | Música para deixar ir o coração

Moura | Música para deixar ir o coração

O Pátio do Centro Cultural de Lagos recebe, a 12 de agosto, a música de Pedro Moura e Bruna de Moura. Entre as sonoridades tradicionais emprestadas pela guitarra portuguesa, a liberdade das cordas do violoncelo e a imaterialidade da eletrónica, promete-se uma noite de paisagens múltiplas.

Não cabe numa caixa a música feita por Pedro Moura e Bruna de Moura. Se, por um lado, a guitarra portuguesa é uma chamada à terra, o violoncelo e a eletrónica libertam o som e levam-no para outras dimensões. Autores do disco “Azul Assim Apenas” – álbum lançado em 2024 que vai de “Coimbra B” a “Guadiana”, para terminar em “Viagem” –, o duo concorda que não é fácil rotular os temas que se vão ouvir no Pátio do Centro Cultural de Lagos.

“Há um aspeto da tradição que tem que ver com a melodia, coisas antigas que vamos trabalhando, coisas que nos antecedem. Mas tentamos sempre ir para uma fronteira do desconhecido”, diz Pedro Moura. “Ou seja, queremos encontrar novos horizontes e, para isso, usamos os recursos todos que podemos para estar nessa zona de fronteira.”

Acontece assim um “tradicional experimental”, acrescenta Bruna de Moura. “Muitas pessoas que falam comigo depois dos nossos concertos dizem que parece música de um filme ou música para estar a olhar para uma paisagem.” É um “corpo muito eclético”, sublinha o guitarrista. “Vamos a muitos sítios.” Não se prendem a nenhum.

Apesar destes destinos variados, há uma plasticidade sonora comum a todos os temas, uma estética que se mantém e é partilhada pelos dois músicos, coautores das obras que apresentam. Às raízes portuguesas mais profundas juntam-se matrizes africanas, identifica também a violoncelista. “A nossa cultura é muito rica nesse sentido. Se tivéssemos mais percussões, a nossa música podia tocar na música pagã.”

A quatro mãos

Pedro Moura e Bruna de Moura tocam juntos há muito tempo. “É uma banda que sempre existiu”, dizem. Sendo pai e filha, o projeto que agora corre salas de concerto surgiu da necessidade de gravarem temas que já andavam a tocar e das ideias que iam surgindo para novos temas. Existem já planos para o sucessor de “Azul Assim Apenas”. Algumas das obras em audição no concerto de Lagos fazem parte do disco que ainda vai ser lançado.

Filho de um músico, Pedro Moura nasceu “no meio das guitarras”. O instrumento que toca em Moura – a guitarra portuguesa – apareceu já depois de Bruna ter nascido. “Surgiram uns temas e ela, como já tocava violoncelo, foi participando. Assim, aos poucos, construímos este corpo de canções que, depois, editámos neste primeiro disco.”

O processo de composição faz-se a dois. Há uma estrutura que, por norma, é oferecida por Pedro Moura. À ideia inicial junta-se a improvisação do violoncelo de Bruna. “Acabamos por ter forças muito diferentes. Apesar de termos estéticas parecidas, temos pontos fortes diferentes e, num processo de composição, isso dá muito jeito”, aponta a violoncelista.

O projeto tem sido muito bem recebido. “Temos tocado. Está a correr muito bem”, conta o guitarrista, ressalvando que “não cabe em todos os sítios”. Por norma, os concertos de Moura, intimistas, fazem-se em salas fechadas, mas já houve experiências ao ar livre igualmente bem-sucedidas.

“Estamos muito contentes por ir tocar ao Algarve. Achamos que a música se adapta completamente ao Algarve. É uma música muito sulista”. Os músicos identificam “um cheiro muito árabe” nas suas composições que encaixa bem no contexto onde vai decorrer o concerto. “Vai ser delicioso ir a Lagos tocar. Espero que gostem.”

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