Avenida dos Descobrimentos | A artéria que mudou a cidade
Avenida dos Descobrimentos | A artéria que mudou a cidade

Avenida dos Descobrimentos | A artéria que mudou a cidade

A fisionomia de Lagos mudou de forma drástica em 1960, com a construção da Avenida dos Descobrimentos. A 7 de agosto comemora-se a inauguração de uma obra que permitiu ter uma nova perspetiva sobre a cidade e o mar.

Hoje ninguém imagina Lagos sem a Avenida dos Descobrimentos. “É o seu principal pulmão de circulação, não só rodoviária, mas também pedestre”, afirma o historiador Artur de Jesus. “As pessoas utilizam o grande passeio da avenida para usufruir da paisagem da cidade, não só na sua frente marítima, mas também a perspetiva que se tem da avenida para a própria cidade.”

O “grande motor” da cidade resulta de uma obra significativa que decorreu entre 1958 e 1960, inserida no 5.º centenário da morte do Infante D. Henrique. Foi um período importante para Portugal, com as Comemorações Henriquinas que, de diferentes modos, se fizeram sentir um pouco por todo o país. Em Lisboa, o Padrão dos Descobrimentos, originalmente construído com materiais perecíveis, foi alvo de uma intervenção que lhe permitiu resistir à passagem do tempo.

Em Lagos, a zona ribeirinha foi transformada. Duas décadas antes, tinha sido construída uma artéria – a Avenida da Guiné – de menor dimensão, que “ocupava a zona do antigo cais da cidade, a zona da Janela que se diz ser de D. Sebastião, e uma parte do Jardim da Constituição, junto à Praia da Batata”.

A reestruturação da zona ribeirinha, no final dos anos 1950, implicou a demolição das casas do antigo Bairro da Ribeira e, sublinha o historiador, “as muralhas ficaram finalmente expostas, à vista das pessoas que frequentam a cidade, algo que não acontecia antes”. As obras implicaram a reformulação de espaços que ainda hoje se mantêm, como a implantação de um espaço ajardinado, a adição de guaritas no Forte Ponta da Bandeira e a ampliação da Praça da República, à época batizada de Praça Infante D. Henrique. “Recebeu o monumento que lá está ao Infante D. Henrique, da autoria de Leopoldo de Almeida, o mesmo escultor do Padrão dos Descobrimentos.”

Os trabalhos foram de uma dimensão até então nunca vista em Lagos, com muitos trabalhadores provenientes de outras regiões e a utilização de maquinaria pesada. A Avenida dos Descobrimentos teve também impacto demográfico e social. “Houve uma afluência de uma grande quantidade de jovens de fora, o que deu origem, ao nível local, a muitos namoros e casamentos, que duraram no tempo”, aponta Artur de Jesus.

Pompa e navios estrangeiros

A inauguração, a 7 de agosto de 1960, contou com a presença de altas individualidades, desde logo o Presidente da República Portuguesa, Américo Tomás, e o seu homólogo brasileiro, Juscelino Kubitschek de Oliveira, além de outras figuras do Estado, como o ministro das Obras Públicas.

As celebrações foram “grandiosas” e estenderam-se a Sagres. Fizeram-se em terra e no mar: “Alguns locais recordam estas Comemorações Henriquinas como algo majestoso, em que a baía ficou cheia de navios de guerra, com milhares de pessoas na cidade e, sobretudo, marinheiros de todo o mundo em Lagos. O dia da inauguração teve “um reconhecimento internacional ligado à figura do Infante D. Henrique, às navegações portuguesas dos séculos XV e XVI, e também ao papel de Lagos e do Barlavento do Algarve”.

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