São objetos obrigatórios no saco que se leva para a praia: os livros são grandes companheiros nos dias de descanso. Se o frenesim do dia a dia não nos deixa tempo para pôr as leituras em dia, nas férias os minutos contam-se com mais calma. Deixamos aqui algumas propostas, para adultos e crianças, com a ajuda da Biblioteca Municipal de Lagos. A Feira do Livro de Lagos, que se realiza entre 1 e 11 de agosto, chega mesmo a tempo de reforçar as opções literárias para este verão.
“A Mais Bela Maldição”
Começamos com uma sugestão de um livro sobre pessoas que gostam muito de livros. Rui Couceiro lançou este ano “A Mais Bela Maldição”, uma obra que reúne um conjunto de improváveis protagonistas: uma baronesa quase centenária da Toscana, um antigo pescador da Póvoa de Varzim, um ex-ministro brasileiro, um gasolineiro dos Açores, um socioeconomista francês que vive em São Tomé, um condutor de camiões do lixo de Bogotá, uma poetisa italiana, um alfarrabista de Rabat, um antigo recluso nova-iorquino e um padre alemão. Têm todos em comum uma ligação aos livros tão profunda que lhes dedicaram toda ou grande parte das suas vidas.
“A Mais Bela Maldição” vai ser apresentado na Biblioteca Municipal Júlio Dantas, no dia 12 de setembro, dia em que Rui Couceiro participa também no Clube de Leitura de Lagos, mas para conversar sobre outra obra da sua autoria – “Baiôa sem Data para Morrer”. Natural do Porto, Rui Couceiro trabalhou no meio editorial durante duas décadas. Publicou, em 2022, o seu primeiro romance, “Baiôa sem Data para Morrer”, distinguido com o Prémio Literário Manuel de Boaventura nesse ano e finalista do Prémio PEN Club Português no ano seguinte. Em 2024, lançou “Morro da Pena Ventosa”. “A Mais Bela Maldição” é a sua terceira obra.
Porto Editora |abril de 2026
“A Nova Peste – Da Ideologia de Género ao Fanatismo Woke”
Manuel Maria Carilho ganhou visibilidade pública por ter sido ministro da Cultura, mas é a filosofia que marca o seu percurso profissional. Em 2025, lançou “A Nova Peste – Da Ideologia de Género ao Fanatismo Woke”, uma obra que reflete sobre um fenómeno social recente que, apesar de ter nascido do outro lado do Atlântico, tem impacto também na nossa realidade. O regresso do trumpismo fez com que o wokismo tivesse passado a ser um assunto comum. Mas as raízes do wokismo vêm do começo do século e abrangem um leque muito variado de ideias e doutrinas, ligadas sobretudo às temáticas do sexo e da raça, do género e do racismo, explica a sinopse da obra. Originário dos Estados Unidos da América, este movimento rapidamente se difundiu por todo o Ocidente, tendo também, naturalmente, chegado a Portugal. É todo este processo que se analisa neste livro.
Manuel Maria Carilho tem uma vasta obra publicada em Portugal e no estrangeiro. Foi professor catedrático de Filosofia Contemporânea na Universidade Nova de Lisboa, ministro da Cultura nos governos presididos por António Guterres, parlamentar na Assembleia da República e embaixador de Portugal na UNESCO, em Paris. “A Nova Peste” é o 25.º livro da sua autoria. Foi também coordenador de diversas publicações coletivas, nacionais e internacionais, sobre temas filosóficos, políticos e culturais.
Desassossego | junho de 2025
“Ser Espiritual: da Evidência à Ciência”
Para ajudar a pensar, mas numa perspetiva completamente diferente, é também o livro “Ser Espiritual: da Evidência à Ciência”, de Luís Portela. O autor faz uma constatação sobre a grande progressão da Humanidade no domínio tecnológico, para constatar o enorme contraste com a atenção prestada ao plano espiritual. “O ter tem-se sobreposto ao ser. E, recentemente, parece que já nem faz falta ter, basta parecer”, lê-se na sinopse. “Tendo assumido a ilusão tal dimensão, parece oportuno procurar recentrar o Homem no âmago do ser. Foi o que o autor procurou fazer, cruzando os saberes tradicionais com os resultados da investigação científica recente e sugerindo um prévio despojamento de conceitos e preconceitos, uma grande abertura a uma perspetiva diferente dos conhecimentos aceites pela cultura vigente. Ou seja, uma real abertura do leitor a perspetivar o Universo a partir do seu eu espiritual.”
Luís Portela é médico, tendo exercido atividade clínica durante três anos e lecionado Psicofisiologia durante seis anos na Universidade do Porto. De 1979 a 2021 presidiu à empresa da família, a Bial. Foi também presidente do Health Cluster Portugal e do Conselho Geral da Universidade do Porto, vice-presidente da Fundação de Serralves e membro da Direção da Cotec. Em 1994 criou, com a Bial e o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, a Fundação Bial, a que atualmente preside, para incentivar a investigação centrada no ser humano. Tem dez obras publicadas.
Gradiva | janeiro de 2026
“História de uma fraude”
Num registo completamente diferente, para um público mais jovem, é a sugestão que se segue: “História de uma fraude”. O thriller de E. Lockhart tem como enquadramento duas amigas: Imogen, herdeira de uma fortuna, cozinheira talentosa e hábil impostora; e Jule, atleta, lutadora e fascinante camaleão social. Entre elas há uma amizade intensa, quase obsessiva. O verão que passam juntas é feito de revelações e mistérios. Mas tudo isto faz parte do passado, porque alguém desapareceu e algo fundamental mudou. E uma rapariga brilhante vive em segredo o seu sonho americano. Trata-se de um romance de suspense psicológico, sobre uma jovem que recusa ser quem em tempos foi.
E. Lockhart, pseudónimo de Emily Jenkins, foi finalista do National Book Award e do Michael L. Printz Award. Tem um doutoramento em Literatura Inglesa da Universidade de Columbia e dedica-se sobretudo à literatura juvenil. Vive em Nova Iorque.
Edições Asa | janeiro de 2022
“Menino Menina”
A terminar – e porque os últimos são os primeiros –, um livro para crianças. “Menino Menina”, de Joana Estrela, é mais uma pérola da Planeta Tangerina, editora que nos habituou a deliciosas e importantes obras para a infância. Neste livro, explica-se que a nossa identidade não se resume a duas palavras – muito menos à escolha entre as duas palavras que fazem o título da obra. Quem somos e quem sentimos que somos são perguntas que não encontram resposta num mundo a preto e branco, mas antes na grande variedade de tons e possibilidades que existem. “Menino Menina” é uma celebração da diversidade, da liberdade e do respeito por todos – um livro que, sem complicar, aborda o tema da identidade de género com humor e sensibilidade.
Nascida em Penafiel, Joana Estrela começou cedo a desenhar retratos de família, sobre os quais escrevia legendas divertidas. Estudou Design de Comunicação na Faculdade de Belas Artes do Porto. Passou por Budapeste e Vilnius, e voltou ao Porto, onde trabalha em ilustração e banda desenhada. Em 2014, a Plana publicou o seu primeiro livro, “Propaganda”. Em 2016, foi lançado “Mana” (Planeta Tangerina), a obra vencedora do I Prémio Internacional de Serpa para Álbum Ilustrado.
Planeta Tangerina | outubro de 2020




