Máximo | Um piano de improvisos
Máximo | Um piano de improvisos

Máximo | Um piano
de improvisos

O pianista Máximo apresenta-se no Centro Cultural de Lagos, a 26 de agosto, para uma viagem pelas suas composições. Entre a música contemporânea, o jazz e arranjos de temas com raízes tradicionais portuguesas, o compositor promete uma noite de muita improvisação.

Uma e outra coisa aconteceram em simultâneo: não há um pianista e, mais tarde, um compositor que é também pianista. Máximo começou a imaginar o que viria a tocar mal se sentou ao piano, ainda miúdo. “A minha forma de aprender piano era exatamente criar peças, mini composições, num processo que aconteceu ao mesmo tempo”, conta. Concluído o curso de Piano e Composição no Conservatório Nacional de Lisboa, rumou aos Países Baixos para estudar Composição de Jazz na Codarts Rotterdam.

O universo musical de Máximo desenha-se entre a música clássica/contemporânea e o jazz, com outras influências também, do pop à eletrónica. Mas será o jazz o estilo que mais se aproxima à música do pianista, que encontra inspiração não só “noutras artes”, mas também no que vai vivendo. “É uma experiência holística que, no meu caso, resulta em música.”

Autor e intérprete de dois discos – “Máximo – Greatest Hits” e “Pangea”, compôs bandas sonoras para cinema, um tema oficial para a ModaLisboa e fez uma performance num desfile de moda. Já tocou em galerias de arte nacionais e internacionais, bem como em performances que unem dança contemporânea e poesia. Lançou também “Residência”, uma incursão no trap e na eletrónica com ornamentos barrocos e vozes totalmente desconstruídas, em colaboração com Plástico. A faixa final de “Pangea” (com o mesmo título) foi escolhida como tema oficial do Pavilhão de Portugal na EXPO 2025 Osaka, onde também atuou.

Da discografia de Máximo fazem ainda parte arranjos de temas tradicionais: lançada este ano, “Cantiga Bailada” recupera as vozes das Adufeiras do Castelo de Idanha-A-Nova como ponto de partida para uma composição que se afasta progressivamente das sonoridades tradicionais, sem nunca as abandonar totalmente. É autor também de uma nova interpretação do tema “Verdes Anos”, de Carlos Paredes, que vai tocar no concerto em Lagos. O processo de criação destes arranjos é em tudo semelhante ao que acontece nas composições. “Surge muito naturalmente. Não estou à procura de um género musical específico. A maneira como faço música também é muito intuitiva. O arranjo, para mim, é muito próximo da composição”, diz.

Quem for ao Pátio do Centro Cultural vai ter oportunidade de ouvir as músicas para piano solo de Máximo que constam da discografia já editada, mas também temas de um novo álbum, que deverá ser lançado no início do próximo ano. O público pode contar, “acima de tudo, com bastante improvisação em todos estes temas”. Máximo improvisa “bastante” em concerto, numa “improvisação livre”, mas assente na linguagem do jazz. “Entre algumas músicas vou falar um pouco sobre os temas, conto um pouco da sua história, e noutros vou só tocar”, remata o pianista.

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