Festival de Folclore | Dia de muitas músicas e danças
Festival de Folclore | Dia de muitas músicas e danças

Festival de Folclore |
Dia de muitas músicas
e danças

O Largo da Liberdade enche-se de cor e de música tradicional portuguesa no dia 8 de agosto, data em que se realiza mais um Festival de Folclore promovido pelo rancho de Odiáxere. Às sonoridades algarvias, juntam-se as raízes musicais trazidas por grupos de Alcácer do Sal, Tábua e Vila Nova de Gaia.

Passam de geração em geração, e constituem uma demonstração da riqueza e diversidade da cultura portuguesa: em cada região, há danças, músicas e tradições que vão sendo perpetuadas pelos ranchos folclóricos, responsáveis pela recolha de sonoridades e hábitos que, de outro modo, há muito teriam desaparecido.

Em Odiáxere, o Rancho Folclórico e Etnográfico da freguesia conta com 42 anos de história e é o responsável por um festival revelador da variedade musical de raiz portuguesa. Além da atuação algarvia, quem passar pelo Largo da Liberdade vai ouvir e ver músicas e danças de Alcácer do Sal, Candosa (Tábua) e Canelas (Vila Nova de Gaia).

A organização do evento é simples, explica Luís Morgado, responsável pelo agrupamento de Odiáxere. Neste tipo de festivais, não existem cachés envolvidos: os ranchos vão tocando pelo país, respondendo aos convites que lhes são lançados, numa lógica de partilha e reciprocidade. Garante-se um teto para a pernoita. De dia canta-se e dança-se, num convite a uma enorme festa coletiva.

À semelhança de outras formações do género, o Rancho Folclórico e Etnográfico de Odiáxere constrói o seu repertório através da recolha de músicas e danças tradicionais da região. Para o espetáculo do dia 8 de agosto está a ser preparada uma apresentação de temas do século XIX. Entre as danças que o grupo interpreta destacam-se os bailes de roda, os corridinhos, as valsas e as mazurcas.

O grupo possui um espólio de trajes tradicionais, entre fazendeiros, domingueiros, noivos, lavadeira, mulher do pão, ajudante do pescador, aguadeiro, carreiro e trajes de trabalho no campo, sendo que alguns deles são réplicas fiéis dos originais. Como complemento etnográfico, o Rancho apresenta, nas atuações e desfiles, utensílios agrícolas associados à apanha da amêndoa e do figo, à ceifa e ao amanho da terra.

Evolução na tradição

Membro efetivo da Federação do Folclore Português, Luís Morgado conta que o Rancho tem vindo a evoluir no modo como trabalha as recolhas realizadas. “Somos totalmente diferentes agora”, nota. A formação foi fundada a 17 de março de 1984, na sequência de “uma brincadeira” que se transformou num percurso com mais de quatro décadas de existência. 

Para já, a esperança de vida do Rancho de Odiáxere está assegurada – mas não acontece o mesmo em todo o país. “Agora temos mais dificuldade em atrair jovens, que é o que nos faz falta para suportar um grupo e ser dada continuidade”, diz. “As pessoas mais idosas vão ficando mais frágeis, umas vão desaparecendo e tem de se ir tentando manter as tradições”, sublinha. “Se aparecesse mais juventude, para nós seria ótimo, mas não nos podemos queixar neste momento porque temos bastante miudagem e malta nova a aderir.”

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