Only Duos | O poder da dança a dois
Only Duos | O poder da dança a dois

Only Duos | O poder
da dança a dois

A Companhia Nacional de Bailado apresenta no Centro Cultural de Lagos o programa “Only Duos”, pensado para mostrar a força, a intimidade e a expressividade da dança a dois. A 13 de junho, o palco enche-se de novas criações e de excertos de peças em que os duos fazem toda a diferença.

É um projeto que nasceu de dois eixos fundamentais, enquadra o diretor artístico da Companhia Nacional de Bailado (CNB), Fernando Duarte. “Um deles era criar um programa que se concentrasse no poder que há em coreografar só para duas pessoas em palco.” Em muitos bailados, “o momento mais simbólico é um pas de deux, um dueto”, algo que acontece tanto no repertório clássico, como no contemporâneo. Depois, o facto de se criar uma peça para apenas dois bailarinos é, em si mesmo, um desafio. “Quando é bem conseguido – e é o caso deste programa –, transporta para micronarrativas que têm um poder de expressão e de fruição por parte do público muito interessante.”

O segundo eixo na origem do “Only Duos” tem que ver com a natureza do programa, concebido exclusivamente para digressão. A CNB quis que pudesse circular por diferentes tipologias de teatros e salas do país, com características diferentes. “A ideia era que, independentemente do tamanho, da localização e do equipamento que tivessem, fosse um programa que vivesse e conseguisse brilhar em qualquer espaço.” E é isso que tem acontecido: desde Famalicão, cidade onde ocorreu a estreia, que o programa tem sido recebido com casa cheia em salas distintas, com públicos diversificados. 

O programa integra três obras que passam a fazer parte do repertório da Companhia Nacional de Bailado – “O Espectro da Rosa”, de Michel Fokine, o dueto do bailado Le Parc, de Angelin Preljocaj, e “Swan Lake Dream”, de Filipe Portugal. Juntam-se ainda três estreias absolutas dos coreógrafos Miguel Ramalho, “Chapter II”, Wubkje Kuindersma, “Entanglement”, e Joseph Toonga, “The Unpartnered”.

Cumprir a missão

O programa “Only Duos” vai ao encontro da missão fundadora da Companhia Nacional de Bailado que, no próximo ano, celebra meio século de vida: a dança não se faz para ser apresentada e vista apenas em Lisboa, no Teatro Camões, onde a companhia reside. Como “primeira e única companhia de repertório do Estado, tem como missão de serviço público chegar a todos os públicos do nosso país”, observa Fernando Duarte.

“Há sempre alguém que assiste pela primeira vez a um espetáculo da CNB em Lisboa, mas a probabilidade de haver públicos estreantes noutras localidades é ainda maior”, diz. “Mas também é interessante ver que, por vezes, em certas localidades onde regressamos após alguns anos, temos públicos que se lembram de terem visto a Companhia naquele teatro.” Mais do que descentralizar o direito à arte, o diretor artístico destaca a importância da presença. “A descentralização não passa só pela ideia de apresentar fora, mas de estar presente fora de portas e de considerar os modos de ver do público e os modos também de circular com os recursos que colocamos à disposição dos artistas, dos criadores e de todos os nossos colaboradores”, defende. “O público tem enchido as salas em todas as nossas digressões, o que nos deixa muito felizes por percebermos que há um grande interesse em ver a CNB. Temos todos de encontrar este esforço e esta vontade comuns de estarmos presentes”, conclui.

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