A dança enquanto aproximação
A dança enquanto aproximação

A dança enquanto aproximação

Lagos recebe, entre os dias 15 e 18 de abril, a segunda edição do Primavera Dança, um festival em crescimento que junta espetáculos, criadores, oficinas, conversas e práticas participativas. A organização pretende dar palco à dança e às artes performativas, num espaço que se quer de liberdade.

É um festival que “ainda não é bem um festival”, avisa Sofia Brito, da organização, mas que para lá caminha. O Primavera Dança vai na segunda edição e começou com um “dia aberto”. A AORCA, a associação mentora do projeto, decidiu partilhar com a comunidade o trabalho que estava então a fazer. “Convidámos várias pessoas e projetos da comunidade, que achávamos interessantes para celebrar esse dia, e a partir daí nasceu a ideia deste festival.”

O conjunto de iniciativas, de diferentes índoles e formatos, vai ao encontro de “uma vontade da comunidade local”, diz Sofia Brito. Pretende-se “encontrar diferentes caminhos e desvios na dança, revelar processos criativos e aproximar artistas e espectadores”.

A organização explica que, num tempo que exige “resistência, imaginação e novas formas de colaboração”, o Primavera Dança procura afirmar-se “como um território de cuidado e de possibilidade, um lugar onde a arte pode ser vivida como prática de liberdade, encontro e regeneração”.

O festival vai ao encontro da missão local e regional que a AORCA tem, acrescenta Sofia Brito: a valorização da dança e das artes performativas como “uma expressão que tem muito potencial transformador”. Além de se estimular a dança, trabalha-se para comunidades mais atentas, que se ouçam e se compreendam e que percebam que a arte é um instrumento efetivo de mudança.

Resiliência em palco

O fio condutor dos espetáculos desta edição percorre temas como o cuidado, a resiliência e a identidade. Da agenda, destaque para o primeiro dia do festival, no Centro Cultural de Lagos (CCL), com a artista britânica Kirstie Simson a apresentar “Subterrânea”, um solo que explora a capacidade de resiliência perante a adversidade. No dia 18, no Clube Artístico Lacobrigense (CAL), Francisca Pinto mostra “Motherland”, um espetáculo que dá visibilidade à maternidade como o trabalho mais antigo e natural do mundo, numa reivindicação da possibilidade de continuar a existir como profissional das artes performativas enquanto mãe de duas crianças pequenas, um tema que é caro à AORCA.

O Primavera Dança contempla ainda momentos de formação intensiva, oficinas abertas e práticas participativas que desafiam artistas e comunidade a partilhar processos e experiências. Estão também previstas jams e encontros informais que “prolongam o festival para além do palco, abrindo espaço à improvisação, à escuta e à experimentação coletiva”.

Há ainda espaço para a música, com o Coro da Gente, num concerto a 16 de abril, no CCL, que celebra os três anos de existência da formação. A festa de encerramento acontece no dia 18, no CAL, com Piter Maikel.

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