ARTURb | Quando a arte sai à rua
ARTURb | Quando a arte sai à rua

ARTURb | Quando a arte sai à rua

A ideia surgiu em 2011 e ganhou pernas que andam cada vez com mais força. Todos os anos, a arte urbana encontra em Lagos liberdade para ser: o projeto ARTURb – Artistas Unidos em Residência está de regresso para a 14.ª edição, e junta na cidade artistas nacionais e internacionais de referência.

A iniciativa do LAC – Laboratório de Actividades Criativas desdobra-se em várias frentes, desde logo a residência em que participam cinco artistas. “O objetivo é pô-los em contacto num ambiente tão específico como é a Antiga Cadeia de Lagos, para que possam explorar o espaço que o edifício tem”, contextualiza Nuno Pereira, presidente da direção do LAC. “A residência serve também para confrontarem algumas ideias estéticas, e para troca de conhecimentos e experiências.”

Com a co-curadoria de Diogo Machado (Add Fuel) e Sofia Fortunato (Fitijane), para a edição de 2025 foram convidados Antonyo Marest (Espanha), Eric Ve (Alemanha), James Klinge (Escócia), Kiã (Portugal) e Moami (Portugal), artistas com obras que exploram linguagens distintas da arte urbana contemporânea.

Do lado de fora da Antiga Cadeia de Lagos estará a portuguesa Patrícia Mariano, a artista convidada para realizar um mural comunitário na Rua das Operárias Conserveiras, no Chinicato, entre 15 e 26 de setembro. “Desde 2023 que decidimos incluir mais um artista para uma ação específica nos bairros municipais, para levarmos a arte para mais perto dos bairros. Como a Câmara Municipal é nossa parceira neste projeto, todo o processo para as autorizações dos murais é mais direto”, diz Nuno Pereira.

A arte nas paredes da cidade é o lado mais visível e, assim sendo, aquele que desperta mais curiosidade. É também uma oportunidade para se criarem novas formas de olhar para esta arte que sai à rua. “É para isso que nós cá estamos, para fazer esse papel da mediação.”

Com mais de 60 murais espalhados pela cidade, em Lagos a arte urbana é bem recebida, sente o diretor do LAC. “Quando estão a ser feitos esses murais sentimos apoio dos locais e curiosidade também. As pessoas vão acompanhando as várias fases”, conta.

A exposição que resulta da residência serve ainda para trabalhar com as escolas da cidade, através do serviço educativo do LAC, para que “possa haver entendimentos mais específicos ou mais técnicos” do que é a arte urbana.

O projeto ARTURb já conquistou visibilidade para lá dos limites de Lagos: a residência é acompanhada por jornais e revistas da especialidade, e por pessoas que chegam à cidade porque se interessam por determinado artista ou por arte urbana em geral.

Trinta anos de LAC

Com três décadas de existência, o LAC tem vindo a crescer gradualmente. Há cerca de 15 anos, conseguiu apoios estatais da tutela da Cultura, o que permitiu passar a fazer um trabalho “mais visível e regular”, refere Nuno Pereira.

Entre a criação, a programação e o desenvolvimento de públicos, é uma associação que foge ao mainstream. “O trabalho mais experimental está na nossa génese. Por isso é que somos um laboratório – um laboratório dedicado à experimentação. Às vezes, o trabalho que é produzido não é visível: experimentou-se, não deu certo, não resulta num exposição ou num concerto.” A tentativa-erro dá espaço aos artistas para “poderem vir aqui tentar essas experimentações”. “Do que resulta bem nascem exposições, concertos, conferências, workshops e murais, no caso da arte urbana.”

Obras:

SNIK (UK) – ARTURb 2023 – Rua Convento Sra. da Glória

ROA (BE) – ARTURb 2013 – Rua Lançarote Freitas, Lagos

ARYZ (ES) – ARTURb 2014 – Av. dos Descobrimentos, Lagos

MISTER THOMS (IT) – ARTURb 2017 – Rua Dom Nuno Mascarenhas, Lagos

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