Num mundo de regras, convenções e rótulos, impõe-se a celebração da liberdade. A Quorum Dance Company leva ao Centro Cultural de Lagos o espetáculo HASHTAG#FREE. No dia 22 de julho, no palco do Auditório Duval Pestana, dança-se uma peça que nasceu inspirada na guerra, para uma vida com mais paz.
Só damos conta da falta que nos faz quando não a temos – e, se há momento em que sua ausência é mais sentida, esse tempo é o da guerra, em que deixa de haver liberdade de movimentos, de expressão, de vida. Deixa de haver liberdade para se ser livre.
Foi a pensar nesta ideia que, quando a guerra na Ucrânia começou, o coreógrafo Daniel Cardoso, diretor artístico da Quorum Dance Company, imaginou o espetáculo HASHTAG#FREE, uma peça em que o conceito é levado “um pouco ao extremo”. A liberdade traduz-se na forma como se desenhou a luz, nos figurinos dos bailarinos e na coreografia. “Foi tudo criado da forma mais espontânea possível”, diz.
Ser livre, nesta peça, significa sair da zona de conforto: as regras e os limites que nos são impostos funcionam como linhas orientadoras nas quais confiamos. Como é que se quebram, então, os padrões na dança? “Não há uma estética predefinida ou um estilo predefinido, nem se seguem modas, o que hoje em dia é um bocadinho comum na dança contemporânea.”
Liberdade conjuga-se, assim, com espontaneidade, num trabalho que acabou por ser “extremamente criativo, com o qual as pessoas se conseguem relacionar”. É um espetáculo com “uma leveza” que Daniel Cardoso achou que “fazia todo o sentido, numa altura de guerra, celebrando desta forma a liberdade”.
HASHTAG#FREE concretiza-se em palco com a presença de oito bailarinos e uma seleção musical “surpreendente”. “Os bailarinos entram num mundo onde não existe uma dramaturgia, onde não existe uma mensagem clara que normalmente as peças costumam ter”, explica o coreógrafo. Da peça ficam várias ideias e o público é levado em pequenas viagens, em momentos diferentes. A Quorum Dance Company quer despertar a criatividade de quem for ver o espetáculo e recordar que a vida raras vezes é uma estrada em linha reta.
Daniel Cardoso vinca que uma das características mais importantes da peça é a “leveza”. “A dança contemporânea está cada vez mais ligada a um mundo mais pesado, mais interior.” HASHTAG#FREE pretende ser o oposto, numa travessia para “um universo desprendido, leve, em que as pessoas saem do teatro bem-dispostas, com níveis de energia altos.” O coreógrafo deseja, porém, que o público possa associar a este estado de espírito a necessidade de repensar “a ideia do que significa a liberdade nas nossas vidas”, para que se recupere a espontaneidade e cada um se sinta mais livre.



