Centro Ciência Viva | Onde a curiosidade mora
Centro Ciência Viva | Onde a curiosidade mora

Centro Ciência Viva |
Onde a curiosidade mora

O Centro Ciência Viva (CCV) de Lagos comemora, por estes dias, 17 anos de atividade. Instalado na Casa Fogaça, um solar do século XVIII, é um espaço onde se cruzam passado e presente: a exposição permanente faz-nos recuar alguns séculos até à época dos Descobrimentos; o conhecimento que ali se transmite diariamente é um bem precioso num tempo em que questionar e experimentar são práticas cada vez mais raras.

À frente do CCV há 13 anos, Luís Azevedo Rodrigues faz um balanço positivo do trabalho que tem sido desenvolvido. “É uma enorme valência da cidade de Lagos”, considera o diretor executivo. Num território com muitos e diferentes pontos de interesse, o Centro Ciência Viva procura ser um complemento à oferta existente, assumindo também um papel relevante “na aproximação à ciência em todos os níveis etários”.

Por norma, são as crianças – a faixa etária que mantém a curiosidade em níveis mais elevados – os principais “clientes” deste tipo de equipamento, e Lagos não foge à regra. O CCV trabalha diariamente com as escolas, durante a semana, recebendo alunos nas suas instalações, mas também fora delas, através das Atividades de Enriquecimento Curricular que proporciona.

“Já tivemos um programa específico de literacia científica e de envolvimento dos mais velhos”, conta Luís Azevedo Rodrigues. A ideia foi bem-sucedida e atravessou continentes. “Fomos convidados pela Coreia do Sul a partilhar as nossas experiências.” O programa Ciência Não Tem Idade vai ser retomado.

Com uma forte aposta nas atividades para famílias, o CCV é muito procurado pelos turistas que passam férias na região: mais de 50 por cento dos visitantes chegam de fora. “Além do sol e da praia, Lagos tem um equipamento onde as famílias podem descobrir ou redescobrir alguns conhecimentos da ciência, de uma forma lúdica e interativa.” O responsável conta que também alguns operadores turísticos procuram diferenciar-se recorrendo ao centro para “enriquecerem o conhecimento” que partilham com os seus clientes.

Partilha e renovação

Parte da Rede de Centros Ciência Viva, a estrutura de Lagos foi, na sua criação, ancorada num tema. “Os 22 centros estão instalados em edifícios com particularidades diferentes e com temáticas ligadas ao território onde se inserem”, explica Luís Azevedo Rodrigues. A exposição permanente na Casa da Fogaça partiu dos Descobrimentos e das Comunicações, mantendo-se desde a abertura, embora com algumas modificações ao longo do tempo.

Porém, e porque o CCV é muito mais do que um espaço expositivo, foram sendo desenvolvidas outras atividades e intervenções que vão além do tema original, nomeadamente no domínio do turismo científico, num projeto em que foi parceiro da Universidade do Algarve. O trabalho teve como objetivo a valorização do património natural – biológico, geológico, paleontológico e arqueológico – do Barlavento Algarvio.

“Faz parte da nossa missão promover o conhecimento e a literacia científica”, resume o diretor executivo. O conceito pode ser traduzido de forma mais direta: “Manter a curiosidade das crianças ao longo da vida”. Luís Azevedo Rodrigues vinca que, hoje em dia, “ser curioso, querer descobrir e questionar é cada vez mais importante”. Vivemos dias em que as respostas nos são dadas sem que se percorra o caminho para as encontrarmos. “É cada vez mais relevante perguntarmos, ser curioso e questionar tudo. A base da ciência é isso mesmo.”

No ano em que atingirá a maioridade, o CCV de Lagos mantém a atividade regular, mas prepara também uma espécie de digressão nacional. A estrutura obteve um financiamento para um projeto de três anos a desenvolver em territórios de baixa densidade (noção que não se aplica a Lagos). A ideia é levar a literacia e o acesso à ciência a vários pontos do país, através de eventos como workshops para a população em geral, e formação de professores e alunos.

“Vamos apresentar experiências sobre a produção de conteúdos acerca do património natural, partindo dos exemplos de Lagos. A realidade geológica de Bragança não tem nada que ver com a de Lagos, mas há uma metodologia que vamos partilhar quer com o público, quer com os nossos colegas de outras instituições”, diz o responsável.

Para 2026 existe ainda a expectativa de uma “grande intervenção” no Centro Ciência Viva, com a reformulação da Casa Fogaça e uma renovação da própria exposição, para que “os nossos visitantes possam aproveitar ainda melhor” a estrutura onde, acima de tudo, se estimula a curiosidade.

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