Cinema | Curtas para o dia mais curto
Cinema | Curtas para o dia mais curto

Cinema | Curtas
para o dia mais curto

A Biblioteca Municipal de Lagos recebe, no próximo dia 20 de dezembro, o ciclo de cinema O Dia Mais Curto. A 21 de dezembro, o hemisfério norte assiste ao solstício de inverno — esse sim, o dia mais curto do ano. Este fenómeno astronómico inspirou uma festa que se celebra um pouco por todo o mundo, dedicada ao cinema em formato curto.

Em Portugal, O Dia Mais Curto decorre ao longo do mês de dezembro, numa iniciativa da responsabilidade da Curtas Metragens CRL, que apresenta quatro programas distintos, a pensar em públicos de todas as idades e origens. Lagos recebe dois destes programas, destinados a jovens e adultos, com quatro curtas-metragens de realizadores portugueses emergentes e outras tantas da autoria de cineastas de outros pontos do globo, que receberam distinções ao nível internacional.

Na categoria Novas Curtas Portuguesas, destaque para “La Durmiente”, de Maria Inês Gonçalves, filme candidato ao European Film Award pelo Festival de Roterdão. Em 20 minutos, explora-se a história da infanta medieval D. Beatriz de Portugal (1373-1420) através da fabulação e do imaginário infantil. Tomando como cenário o Mosteiro de Sancti Spiritus em Toro, Espanha, onde jaz o sepulcro de D. Beatriz, um grupo de sete crianças encena e interpreta fragmentos da vida desta personagem apagada pela história, mas preponderante na crise dinástica portuguesa de 1383.

Nota também para “Sol Menor”, que arrecadou o prémio de Melhor Filme no último Curtas Vila do Conde. Realizada por André Silva Santos, esta curta-metragem tem como pano de fundo a primavera, entre uma sonata, uma carta e um ramo de flores. A paisagem de São João da Madeira, pequena cidade no norte de Portugal, é lentamente atravessada por um comboio. Samuel, 38 anos, dedica os seus dias ao trabalho como professor de flauta e aos rituais de luto pela viuvez de Luísa, com quem partilhava um quotidiano dedicado à música. Após uma visita do irmão, Samuel enfrenta um novo impasse na sua vida.

“Rui Carlos” é o título do trabalho de Margarida Paias e o nome do protagonista de uma história para ficar a conhecer em 15 minutos. A realizadora convida-nos a recuar no tempo, para os anos 1980. Num dia de verão, Rui Carlos e os seus amigos Maranau e Tomané aproveitam o tempo livre no bairro, entre jogos de futebol e brincadeiras. Com as equipas formadas, o jogo começa, mas logo surgem as interrupções típicas: uma visita do cão Mascote, uma pausa para o lanche e novas brincadeiras. No entanto, quando a bola se fura, Rui Carlos é deixado sozinho para lidar com a responsabilidade e os desafios da vida adulta.

Numa curta de animação, Marta Reis Andrade conta uma história real em “Cão Sozinho”, um animal deixado ao abandono na sua própria casa, no tempo em que o avô da realizadora começou a experienciar a sua viuvez e ela, Marta, regressava de Londres, lugar onde se sentiu “mais sozinha do que nunca”.

Da Índia a Paris

Com o programa Curtas do Mundo pretende-se destacar quatro curtas-metragens que vão da ficção ao documentário, passando pela animação, trazendo diferentes realidades e um toque de humor. Estiveram em grandes festivais de cinema deste ano, e receberam o aplauso da crítica e do público.

“Sulaimani”, de Vinnie Ann Bose, é um filme de animação com carimbo francês que remete para locais e tempos distantes. Uma noite em Paris, duas desconhecidas — ambas mulheres de Kerala, Índia — encontram-se num restaurante indiano, onde as vistas, os sons e os cheiros as levam numa jornada simbólica de memórias agridoces da sua infância e educação. Foi selecionado para o Festival Internacional de Animação de Annecy e para o Festival de Cinema Champs-Élysées.

Numa produção que junta os Estados Unidos e o Reino Unido, “No Mean City”, de Ross McClean, gira em torno de dois operários e um aprendiz. Percorrem Belfast à noite, substituindo as antigas lâmpadas de sódio por LED. Sob o brilho delas, a cidade luta contra a mudança, enquanto o progresso avança. Com o documentário, o realizador quis explorar a tensão entre passado e futuro, numa ode às luzes que iluminaram as noites de Belfast durante mais de sete décadas.

“Stone of Destiny” é uma animação musical que acompanha a jornada da Pedra do Destino. Num percurso cheio de encontros misteriosos e símbolos ocultos, é movida por um desejo de liberdade, mas também atormentada pelo medo do fracasso. Instala-se numa casa à beira-mar, mas mesmo ali a vida desta inesperada protagonista continua ensombrada pela dúvida. O filme da realizadora checa Julie Černá passou pela Berlinale deste ano.

Por fim, “No Skate!”, de Guil Sela, uma curta francesa que decorre em Paris, durante os Jogos Olímpicos de 2024. Isaac é um homem-sanduíche. Cléo é uma mulher-sanduíche. Um dia, Isaac vê Cléo atirar um skate à água – está dado o mote para uma aventura filmada com uma câmara oculta. Com estreia em Cannes, “No Skate!” viajou já para locais muito distintos e ganhou vários prémios.

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