Comunidades | Há livros ucranianos a morar na Biblioteca
Comunidades | Há livros ucranianos a morar na Biblioteca

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Há livros ucranianos
a morar na Biblioteca

É inaugurado no dia 25 de janeiro o Cantinho do Livro Ucraniano da Biblioteca Municipal de Lagos. Em colaboração com a ORANTA – Associação Apoio à Comunidade Ucraniana em Portugal, a entidade passa a ter nas prateleiras mais de cem obras destinadas a quem lê em ucraniano, entre livros para crianças e adultos.

Logo após o momento oficial de abertura deste novo espaço, a Biblioteca acolhe uma peça de teatro infantil. “A Luz do Livro para Corações Valentes” conta a história mágica do coelho Kosya e do ouriço Kolka, que superam medos e obstáculos para chegarem à inauguração do Cantinho do Livro Ucraniano. Forças das trevas tentam impedi-los, mas graças à amizade, bondade e ajuda das crianças, encontram a luz – a luz do conhecimento e dos livros.

O programa do dia fica completo com a exibição de “A cidade onde o dinheiro não circula”, de Hanka Tretyak. Trata-se de um filme poético sobre a humanidade, as escolhas morais e os valores espirituais no mundo moderno, baseado no romance de Kuzma Scriabin. A película, em ucraniano, tem legendas em português.

Para o presidente da ORANTA, Roman Grymalyuk, o Cantinho do Livro Ucraniano reveste-se de particular importância. “A cultura da leitura está a morrer. Ler é muito importante para todos, para a imaginação de adultos e crianças. Queremos dar às pessoas que não conseguem ler em português a oportunidade de ler em língua ucraniana.”

Lagos junta-se assim a Faro no que toca à oferta pública de obras escritas em ucraniano. “Há muitas pessoas na zona de Lagos que não têm possibilidade de ir a Faro requisitar livros e devolvê-los”, explica.

A existência de prateleiras com livros na língua de origem fará com que a comunidade se sinta mais integrada. Mas o responsável pela ORANTA antevê outro efeito colateral: a visita de ucranianos à instituição onde moram milhares de livros estimulará a vontade de aprender português.

Vir e não ir

Com uma comunidade ucraniana significativa no concelho, a associação desenvolve vários projetos, graças ao “grande apoio” que tem recebido, salienta. “A nossa comunidade está muito bem e cada dia melhor. Os projetos em que estamos a trabalhar no território de Lagos fazem com que a gente se sinta como em nossa casa.” Roman Grymalyuk usa como exemplo desta integração e apoio o facto de o Museu de Lagos dispor de áudio-guia em língua ucraniana, uma novidade em que foi pioneiro ao nível nacional.

Criada em 2022, a ORANTA teve como principal tarefa, nos primeiros tempos, o apoio à integração de ucranianos acabados de chegar a Portugal. Hoje, dedica-se sobretudo à angariação de fundos para a aquisição de veículos de emergência e de transporte de feridos, que depois faz chegar à Ucrânia, e ao trabalho de índole cultural.

“Organizamos o Festival Felizonda que é um dos mais significativos em Portugal.” A preparar-se já para a quinta edição, o evento será realizado em agosto, por altura do Dia da Independência da Ucrânia, e tem como objetivo central a divulgação da cultura do país, “mas tentamos sempre integrar tradições portuguesas”.

A ORANTA participa ainda em vários eventos organizados por outras estruturas de Lagos, sendo o Natal do Município um momento de destaque, com os cânticos do país a serem partilhados com as outras comunidades da cidade. O presidente da associação salienta que estas ocasiões são demonstrativas do grau de integração dos ucranianos e das semelhanças entre povos, por terem características identitárias que se assemelham mais do que se distinguem.

“Conheço pessoas que vieram ao casamento de um familiar e estão cá há vinte anos”, declara Roman Grymalyuk, a rir. “Somos povos com muitas semelhanças”, conclui. A partir de agora, são povos que, em Lagos, têm também uma biblioteca comum.

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