Literacia | O concorrente da farmácia
Literacia | O concorrente da farmácia

Literacia | O concorrente
da farmácia

Desde 1967 que, a 8 de setembro, se celebra o Dia Mundial da Literacia. Criada pela UNESCO, a data visa chamar a atenção para a necessidade de alfabetização e de aprendizagem ao longo da vida, com ênfase nos jovens e nos adultos. Mas, mais do que a mera competência de leitura e de escrita, o conceito de literacia significa hoje a capacidade de perceber conceitos essenciais para a compreensão do mundo e do espaço que ocupamos nele.

O combate à iliteracia tem particular relevância na terceira idade. “A tendência das pessoas mais velhas é parar”, observa Susana Matos, presidente da direção do Cel – Universidade Sénior de Lagos. Parar é sinónimo de desaprender, de não evoluir. “Tentamos combater a iliteracia, sobretudo a funcional. A Universidade tem como missão a aprendizagem ao longo da vida – que é uma frase muito batida, mas que repetimos sempre –, o envelhecimento ativo e o combate ao isolamento.”

No Cel, a importância da literacia nota-se na dificuldade em “lidar com documentos de saúde, preencher formulários, acompanhar notícias, utilizar as novas tecnologias”, explica Susana Matos. “Os seniores ficam muito inseguros quando têm uma atividade dessas. São os filhos, os netos, os vizinhos. ‘Faz lá tu, que tu é que percebes disto’.” Na Universidade, o objetivo é contrariar esta tendência. “Pretendemos que os seniores sejam mais ativos, mais autónomos e possam fazer a continuação da sua vida, desenvolvendo as suas capacidades. A Universidade Sénior tem sido um pilar”, garante a responsável por uma estrutura com cerca de 280 alunos e que assinala, este ano, um quarto de século.

A literacia é hoje trabalhada a diversos níveis e para ela contribuem, de forma mais ou menos direta, as atividades que se realizam no Cel. São mais de quarenta, com outros tantos professores. “Há áreas manuais, intelectuais, funcionais, aulas de ritmo, de dança, de música, de instrumentos, de cavaquinho.” Às disciplinas convencionais neste tipo de instituição – como a História ou as Artes – juntam-se atividades “mais viradas para o autoconhecimento, as terapias do pensamento”, explica Susana Matos, que quer “abrir as portas da universidade a outro tipo de visão do mundo”.

No combate ao isolamento, à estagnação, na capacitação dos mais velhos para as tarefas diárias, para a aquisição de novos conhecimentos, partilham-se instrumentos para que o mundo continue a ser um lugar seguro. A presidente, em tempos professora do ensino especial e defensora ativa da inclusão, garante que o Cel é “um concorrente da farmácia aqui do lado”. A manutenção e aquisição de competências, a socialização, o envolvimento e participação em atividades públicas têm “um impacto direto na qualidade de vida”, na saúde e nos níveis de literacia dos seniores de Lagos.

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