Festival Infante D. Henrique | Os tempos da música
Festival Infante D. Henrique | Os tempos da música

Festival Infante
D. Henrique |
Os tempos da música

Vai estar na cidade, mas também em aldeias e vilas. Reúne músicos profissionais, mas abre palco aos que ainda experimentam os primeiros acordes e ensaiam as notas iniciais. Celebra o romantismo, mas reserva horário nobre para as composições que hoje se escrevem. O Festival Infante D. Henrique dá música a Lagos entre os dias 22 de novembro e 8 de dezembro. Vai já na quarta edição e congrega uma série de vertentes, com a música erudita como fio condutor.

Gonçalo Duarte, da Impacto Ímpar (a associação que organiza o evento), recorda que, quando o festival foi pensado, imaginou-se de imediato um conjunto de atividades: concertos, uma maratona musical e um concurso. Faltavam iniciativas deste género “de Lisboa para baixo, no Alentejo e no Algarve”, que juntassem diferentes formatos e fossem destinados a vários instrumentistas.

“Quisemos construir um festival para trazer aqui à zona de Lagos músicos de craveira internacional, com três ou quatro concertos, que pudessem, de certa forma, impulsionar a transformação do tecido cultural, social e até económico do concelho e da região”, afirma o responsável. “A componente do concurso tem um aspeto bastante pedagógico. É certo que no concurso há sempre quem fica em primeiro, segundo e etc., mas para nós isso é o menos importante.”

Sendo a organização constituída por professores – Gonçalo Duarte leciona guitarra –, e tendo “muito carinho pela parte pedagógica”, este lado acaba por assumir “um papel preponderante”. O concurso é um incentivo ao estudo, à preparação, e uma oportunidade para se partilhar o que se sabe. Na edição passada, juntou 70 participantes, de instrumentos mais comuns neste tipo de organizações, como o piano e a guitarra, mas também de trompete, trombone, acordeão, violoncelo e violino.

Os candidatos chegam de todo o país e de Espanha, e são de todas as idades, dos seis aos 24 anos. “O facto de alguém pretender participar num concurso exige toda uma preparação, há uma série de objetivos performativos. Os alunos começam a trabalhar com os seus professores, para chegar ao mais alto nível, ou seja, é uma questão de superação”, vinca Gonçalo Duarte. “É ainda uma oportunidade de subir a um palco, fazer uma atuação para um público.” Junta-se a isto a possibilidade de verem os seus pares tocar e da experiência resulta motivação acrescida para continuar o estudo dos instrumentos.

Uma maratona e várias estreias

O Festival Infante D. Henrique arranca com a Maratona Musical Gil Eanes, no dia 22, com ponto de partida na Igreja de Odiáxere. Seguem-se Barão de São João, Bensafrim e Luz. O périplo termina ao final do dia no Centro Cultural de Lagos, com o concerto Paisagens de Viena, um programa constituído por quintetos para piano e cordas. Ao longo de todo o dia, interpretam-se obras do romantismo, período escolhido para a edição deste ano.

A maratona junta músicos profissionais e alunos. “É uma forma de estimular a participação e a partilha do mesmo espaço”, afirma Gonçalo Duarte. A organização pretende ainda levar a música erudita para fora da cidade. “É importante para as aldeias e vilas que recebem este tipo de eventos, porque têm uma dinâmica diferente. A música clássica é possível para todos. Muitas vezes as pessoas não vão a este tipo de eventos porque não conhecem”, aponta o músico. “Ninguém gosta de uma coisa que não conhece. É necessária a aproximação ao público, dar a conhecer para estimular o gosto.”

A mesma lógica aplica-se ao programa que encerra o festival, composto exclusivamente por música contemporânea. A organização encomendou obras a seis compositores algarvios ou residentes no Algarve, e uma ao músico e compositor britânico Christopher Bochmann, que serão estreadas no dia 8 de dezembro. O concerto acontece no Centro Cultural de Lagos e é acompanhado pela apresentação de sete telas do artista plástico João Sena, tantas quantas as peças em primeira audição.

“É preciso dar a conhecer música contemporânea”, sublinha Gonçalo Duarte. “Esta ideia surge sempre associada à nossa vertente de professores e de amantes de música contemporânea. Queremos aproximar o público da música que é feita hoje em dia.”

A vasta programação do Festival Infante D. Henrique contempla ainda workshops com músicos e professores, entre eles aquele que conta com a presença de Nelson Faria, “um dos guitarristas mais icónicos e brilhantes da atualidade dentro da guitarra de jazz, da música brasileira”, parceiro de palco de João Bosco e Ivan Lins. Os participantes poderão subir ao palco e tocar com o músico, numa sessão de composição no dia 6 de dezembro.

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