Grupo Coral de Lagos | A caminho dos 50
Grupo Coral de Lagos | A caminho dos 50

Grupo Coral de Lagos |
A caminho dos 50

A Associação Grupo Coral de Lagos (AGCL) entra em 2026 num ano de particular significado, assinalando 50 anos de atividade, cuja comemoração terá como momento central o concerto de aniversário a realizar em novembro, marcado pela estreia mundial de uma obra encomendada ao compositor português Eurico Carrapatoso.

Não obstante, as celebrações do cinquentenário tiveram início já em outubro de 2025, com a realização do Festival de Coros do Algarve, evento de referência organizado pela AGCL, que assume assim o papel de arranque simbólico de um ano comemorativo marcado por uma programação diversificada e continuada ao longo de 2026.

“Vai ser um ano um bocadinho intenso porque vamos ter pelo menos um evento a acontecer todos os meses”, conta a presidente da direção da AGCL, Isabel Tavares. “Tentaremos sempre que todos os eventos tenham que ver com a história da associação.” Para setembro está pensada a gala do aniversário, com a inauguração de uma exposição e o lançamento de um livro que resume a trajetória da instituição, bem como uma homenagem a alguns sócios que passaram pelo Grupo Coral e ali deixaram a sua marca.

Fundada em 1976, a Associação Grupo Coral de Lagos correspondia então ao que o próprio nome indica: um coro, à época sob a orientação do maestro José Maria Pedrosa. A estreia oficial aconteceu a 10 de junho de 1977, altura em que se realizou a primeira edição do Festival de Coros do Algarve, evento que a AGCL tem vindo a organizar todos os anos, à exceção do ano da pandemia.

Com cerca de cinquenta elementos, o Grupo Coral de Lagos faz-se de pessoas que gostam de cantar – o único elemento profissional é Vera Batista, a maestrina. “Poderá haver um ou outro elemento, sobretudo estrangeiros, com alguns conhecimentos de música e que consegue ler partituras, mas a maioria não.” Isabel Tavares refere que o grupo conta hoje com a participação de vários estrangeiros, das comunidades sueca, britânica e brasileira de Lagos. 

Com um repertório amplo e diversificado, a formação apresenta-se regularmente em Lagos: há concertos na primavera, no verão e, no Natal, são várias as oportunidades para ver e ouvir as vozes que constituem o coro. Depois, existem os convites que chegam de fora e que nem sempre é possível aceitar, pelos custos que acarretam. Em 2025, o coro de Lagos esteve em Marraquexe, onde participou “num encontro coral muito interessante”.

Já em 1996, a AGCL passou a ter um novo agrupamento: o Coro Infanto-Juvenil de Lagos surgiu por ocasião do XX Festival de Coros do Algarve. Atualmente, tem cerca de vinte elementos com idades compreendidas entre os sete e os 12 anos. “Desenvolve um trabalho específico e que se cruza muito com o Grupo Coral de Lagos”, descreve a presidente da instituição. No concerto do aniversário, a 1 de novembro, os pequenos cantores vão juntar-se à formação principal para a estreia da obra de Eurico Carrapatoso. Farão ainda a apresentação de uma peça do mesmo compositor, encomenda da associação com primeira audição no ano passado.

Do canto ao ensino

Com o objetivo de permitir formação musical aos residentes de Lagos, a AGCL tem uma escola de música desde a sua constituição. Ao longo dos anos, a associação tentou obter o estatuto de conservatório para a escola, mas as instalações não o permitiram. No ano letivo de 2018/2019, a escola obteve finalmente a licença necessária.

Neste momento, o Conservatório de Música e Artes tem cerca de 200 alunos, com alguns estudantes que vivem em concelhos vizinhos. A grande maioria – sensivelmente 160 – frequenta a escola no regime articulado. Os restantes integram cursos livres.

Embora sob a alçada da AGCL, o Conservatório funciona com um programa próprio e de forma independente das restantes secções da associação. Ali são dadas aulas de quase todos os instrumentos tradicionais deste género de escolas de música. Não há oferta, porém, para instrumentos menos procurados pelos alunos, como o contrabaixo ou o fagote. “Temos dificuldade em dar um horário aliciante aos professores, porque há poucos alunos para esse tipo de instrumentos”, diz Isabel Tavares. No sentido oposto, são muitos os interessados em aprender guitarra, piano, violino, violoncelo, flauta, trombone e clarinete. Para que nunca falte música em Lagos.

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