Leitura encenada | E se fôssemos todos pássaros?
Leitura encenada | E se fôssemos todos pássaros?

Leitura encenada | E se fôssemos todos pássaros?

O filósofo e sociólogo francês Edgar Morin defendeu que a compreensão humana é uma urgência. Uns bons séculos antes, o poeta Farid Ad-Din Attar escreveu sobre pássaros que voaram para resolver as dificuldades do mundo. Em palco, cinco atores falam-nos desta viagem em busca de soluções.

O Centro Cultural de Lagos recebe, a 15 de maio, cinco atores bem conhecidos para uma leitura encenada em que o público é convidado a participar na mensagem que ali se vai deixar. “É urgente a compreensão humana”, com a direção artística de Cecília Sousa, traz a Lagos Cristina Cavalinhos, João Cabral, Miguel Seabra, Natália Luíza e Sofia Grilo. Sem o peso cénico do teatro, a proposta que se faz é de maior proximidade.

O título parte de uma ideia defendida pelo filósofo e sociólogo francês Edgar Morin: a urgência da compreensão humana. Entender o outro não é uma capacidade inata: a empatia ensina-se e aprende-se. “E só através da compreensão se ultrapassam as dificuldades da humanidade”, diz Cecília Sousa, a propósito da escolha do título desta sessão.

Edgar Morin empresta o mote para a leitura encenada; o texto é de Farid Ad-Din Attar, um poeta persa do século XII. “É um texto lindíssimo que se chama ‘A Conferência dos Pássaros’. Foi escrito por um poeta sufi, que acreditava que o autoconhecimento é um processo de iluminação pessoal e de encontro com Deus, uma filosofia – não uma religião”, descreve a diretora artística. Essa transformação pessoal ocorre através da música, da poesia e da dança.

“Este poeta é muito interessante porque põe, numa metáfora, a humanidade em pássaros, que vão todos em busca de um rei para solucionarem as suas questões.” O que encontram os pássaros no final desta viagem? “Deixamos em suspense. Muitos não conseguem continuar, outros ficam pelo caminho”, remata Cecília Sousa.

Os novos olhares possíveis

Esta sessão, apesar de ser feita por atores, não é uma peça de teatro. A leitura encenada permite aos atores estarem frente a frente com o público e, nesta proposta da diretora artística, interagir com quem estiver a assistir.  “Não vamos ler o texto na íntegra, porque é muito longo. Fizemos algumas seleções de personagens e temos também um fundo musical que acompanha a nossa leitura artística do texto”, explica. “Desta forma, o público é convidado a viver com os atores as palavras do texto com alguma gestualidade.”

Cecília Sousa acrescenta que os atores partilham com o público alguns dos instrumentos de investigação artística, “e que promovem justamente estas qualidades da empatia e do espelho”. A arte, sublinha, “consegue que o público, de alguma forma, venha a posicionar-se muitas vezes em papéis que não são os seus quotidianos.” O trabalho com o público, “de uma forma espontânea, não é obrigatório, é só para quem estiver disponível”, vinca. Pretende-se que “desta partilha que o texto convoca, que é sermos todos pássaros e ultrapassarmos as dificuldades da humanidade em conjunto”, surja “a possibilidade de termos novos olhares para antigas situações”.

A leitura encenada “É urgente a compreensão humana” é uma iniciativa no âmbito do projeto Um teatro em cada bairro – Casa do Jardim da Estrela, com o apoio da Sociedade Portuguesa de Autores.

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