O Centro Cultural de Lagos recebe no dia 30 de agosto Um Quarteto Impossível, projeto da Orquestra de Jazz do Algarve (OJA) que junta em palco Ricardo Jesus (saxofone alto), Gonçalo Neto (guitarra), Hugo Santos (contrabaixo) e Rui Filipe Freitas (bateria).
O concerto faz-se de repertório original, com tradição no jazz, mas com “alguns testes de estética dentro daquilo que são as várias linguagens” do estilo musical, explica o diretor artístico da OJA, Hugo Alves. “É um confluir de fronteiras que, à primeira vista, poderiam ser mais impossíveis. São quatro músicos que vão explorar esses limites.”
O programa em Lagos integra uma longa lista de projetos que a OJA desenvolve ao longo do ano, com 12 deles em agosto, em pontos diferentes do Algarve. Em outubro, a Orquestra regressa com outra formação para um concerto integrado no Algarve All Jazz.
Ultrapassado, em 2024, o marco dos vinte anos de existência, e com uma história que começou precisamente em Lagos, Hugo Alves entende que o caminho escolhido tem sido o acertado. “A estratégia que desenhei em 2004 é aquela que se tem cumprido, tem dado os seus frutos e demonstra-se como certa: dotar o Algarve de uma orquestra de jazz profissional”, afirma, acrescentando que a estrutura existe com os apoios que tem, tanto ao nível das autarquias, como da DGArtes, que cedo reconheceu o valor da formação.
Lagos faz parte do conjunto de 12 municípios que apoiam a OJA, número que “demonstra uma grande unanimidade nos apoios à Orquestra”, nota o diretor artístico. “Esta unanimidade é um motivo de grande orgulho, porque é para isso que cá estamos. Fazemos cultura, fazemos música, queremos chegar ao maior número de pessoas possível e temos conseguido atingir esses objetivos.”
A residir atualmente em Lagoa, a OJA nasceu na sequência de um festival produzido por Hugo Alves em Lagos, ao longo de uma década. Em 2004, a componente de formação do festival foi particularmente forte e surgiu a possibilidade de criar uma orquestra de alunos no âmbito do festival. O resultado levou a Câmara Municipal a desafiar o músico para a criação de uma estrutura do género, de caráter permanente – que Hugo Alves entendeu que devia ser profissional. Em menos de meio ano, a Orquestra estava a dar o seu primeiro concerto, no Centro Cultural de Lagos, que ficou para a memória e numa fotografia até hoje na parede da sede da OJA.
“Lagos está sempre no coração. É o sítio onde a Orquestra começou”, diz o diretor artístico. “Ao longo dos vinte anos de atividade, foram-se criando ligações com as outras autarquias algarvias. O projeto é de dimensão regional, mas com aspirações nacionais, o que felizmente conseguimos.” A Orquestra conta com a colaboração frequente de nomes reconhecidos do jazz nacional e internacional.
Com uma estrutura composta por 24 pessoas, o trabalho da Orquestra vai além dos concertos. Desenvolve outras disciplinas que se cruzam com o jazz, de exposições de fotografia à formação através de workshops, masterclasses e da escola de jazz.
Pátio do Centro Cultural de Lagos
30 de agosto | 21h00
