Odiáxere celebra, por estes dias, o 23.º aniversário da elevação a vila. Batizada com um nome cujas origens são historicamente incertas – embora habitualmente associado à presença árabe –, a localidade acolhe gente desde tempos remotos. Sabe-se que tem importância desde a pré-história e existem vestígios que a demonstram, como menires megalíticos do Neolítico.
A vila nem sempre se chamou Odiáxere, observa o historiador Artur de Jesus. “Durante séculos, foi Diáxere.” Existem teorias divergentes sobre a ausência da letra “O”. Esta não é, porém, a única controvérsia relacionada com as vogais da designação da vila: há quem entenda que Odiáxere se escreve com três “e”, sem qualquer “i” no nome.
Deixando de lado polémicas linguísticas, fiquemos com os factos: é possível consultar registos sobre Odiáxere que dão conta da sua existência em 1566. “No século XVI tinha vinte moradores; outra localidade na zona, chamada Torre, tinha 12, e Arão tinha dez.”
Do século XVIII vem a informação de que a igreja, nessa época, ficava fora da aldeia. Sabe-se ainda que se produziam cereais, como trigo e milho, bem como figos e uvas. “Havia também criação de gado, nomeadamente cabras, porcos, ovelhas e vacas. Apareciam algumas espécies nos campos, como as perdizes, os coelhos, as raposas, os lobos e os javalis.”
Sabe-se igualmente da existência de uma antiga ponte e de moinhos de água. “Na ribeira existiam várias espécies de peixes, incluindo tainhas, e às vezes robalos e douradas”, descreve Artur de Jesus. “Os terrenos nas margens serviam para produzir, além de cereais, abóboras, melancias e melões”, acrescenta o historiador.
Datam do século XIX relatos da existência de um poço, que servia para abastecer os habitantes. Os moradores beneficiavam ainda da força das águas da ribeira para regar as terras. Além do milho, do trigo e do feijão, as vinhas, as figueiras e a criação de gado desempenhavam um papel importante na economia local, assim como a produção de cal, uma atividade registada em 1841.
Das construções de Odiáxere, o historiador destaca casas com “algum interesse do ponto de vista da arquitetura rural” e o moinho de vento, mas a Igreja de Nossa Senhora da Conceição assume preponderância. “É um edifício notável, que vale a pena admirar”, diz, fazendo referência ao pórtico, “um dos melhores exemplares que temos no Algarve, de estilo manuelino”. Datado do século XVI, “tem características interessantíssimas, como a escultura de flores, vários tipos de decorações, formas geométricas, correntes, ramos e outros elementos da natureza”.
A localidade que, no século XVI, contava com apenas duas dezenas de moradores foi crescendo e, em julho de 2003, passou de aldeia a vila. A comemoração da elevação administrativa de Odiáxere faz-se através de uma série de atividades, não faltando animação musical, e comes e bebes.

