A Ordem do O apresenta, no próximo dia 7 de fevereiro, o espetáculo de dança, música e teatro físico “Orquestra Coreográfica do Selvagem”. Trata-se de uma peça que junta um elenco de bailarinos profissionais e um coro performativo local. Em Lagos, o grupo dirigido por Pedro Ramos faz uma estreia: “Este espetáculo aconteceu sempre na floresta ou junto a um rio, num espaço natural. Desta vez, vamos trazer a floresta para dentro do teatro, para o Centro Cultural de Lagos. Vai ser uma experiência interessante”.
A peça surge na sequência de um percurso que Pedro Ramos tem vindo a desenvolver e que está centrado na relação entre corpo e paisagem. “Pensei que a floresta seria o sítio ideal para repensar quem sou, quem somos, o nosso lugar no mundo. A floresta é o local privilegiado: é o sítio de onde todos nós viemos e, acredito, é também o futuro.” Monsanto, em Lisboa, foi o local escolhido para começar a desenvolver um conjunto de peças que resultaram no espetáculo agora em cena.
“É uma peça coreográfica, mas que tem uma ligação à voz e uma dimensão teatral, e explora muito a relação com os ciclos da vida – nascer, morrer, a passagem do tempo – e também aborda uma espécie de irmandade interespécie. Há várias formas de vida presentes neste léxico que o corpo trata”, refere.
Em palco, bailarinos e coro coreográfico juntam-se para episódios que, conjugados, emprestam uma linha condutora à obra. “Há micronarrativas que se encadeiam num todo que, depois, é coerente do ponto de vista simbólico e conceptual. O próprio acontecimento, a ação, tem um significado próprio”, explica o diretor artístico.
Pedro Ramos quis criar um espetáculo que lhe desse a possibilidade de integrar pessoas da comunidade – o tal coro coreográfico que, em Lagos, é constituído por pessoas que vivem na cidade. “Temos um grupo de bailarinos que já está treinado e que conhece este itinerário de experiência. Depois, no sítio onde apresentamos o espetáculo, acolhemos as pessoas que têm vontade de integrar este espetáculo”, diz. “É uma mistura de experiência e formação. Acaba por ser sempre um encontro muito bonito e gratificante para todos.” Os momentos da peça estão definidos, mas os “voluntários” da Orquestra Coreográfica do Selvagem têm espaço para serem eles próprios. A preparação do espetáculo incluiu três dias de oficinas em Lagos, com a Ordem do O a trabalhar em conjunto com um grupo que quis experimentar uma nova relação entre os corpos e a natureza de que fazem parte.



