Revista à portuguesa | Um país conjugado no feminino
Revista à portuguesa | Um país conjugado no feminino

Revista à portuguesa |
Um país conjugado
no feminino

O teatro de revista está de regresso ao palco do Centro Cultural, entre os dias 26 e 28 de março, com a peça “Quem manda são Elas”. Trata-se de uma produção do Clube Artístico Lacobrigense (CAL), associação com mais de um século e meio de vida que, todos os anos, recupera “a forma mais portuguesa” de teatro, e assegura um par de horas de sátira e humor.   

A peça deste ano faz-se no feminino e tem a Constituição da República Portuguesa de 1976 como tema central. Lénia Batista e José Manuel Palroz, autores do texto, recuaram no tempo para imaginar um documento fundamental escrito não por homens, mas por mulheres: passou a ser a “Constituição das donas de casa”.

“Lembrámo-nos deste tema por causa dos 50 anos da Constituição e de algumas polémicas em torno da sua revisão. Quem escreveu a Constituição não foram eles; foram elas”, diz Lénia Batista, também encenadora, com uma gargalhada. “Juntámos ainda as presidenciais, algumas politiquices – para não passarem em branco –, mas a peça é sobretudo sobre a Constituição.”

Com esta revista à portuguesa, o grupo de teatro do CAL pretende que o público de Lagos “se divirta e alivie o stresse dos dias”. É “uma coisa assim levezinha”, conta a encenadora, sem revelar mais pormenores sobre a peça. Mas como é possível falar de “assuntos a sério a rir”, o texto não foge à crítica social. No mês em que se comemora o teatro, mas também as mulheres, sublinha-se a importância da igualdade de género.

Teatro com história

Com origem em França, no século XVIII, inserido no vaudeville, o teatro de revista foi, durante muitos anos, um acontecimento anual com grande popularidade entre as classes operárias. Chegou a Portugal em meados do século XIX e, durante mais de um século, foi o género de teatro com maior sucesso.

Lénia Batista recorda que, “durante os tempos da censura, era a forma de conseguirmos transmitir mensagens políticas, com ambiguidades em forma de crítica, brincando”. Hoje, em liberdade, “queremos continuar a fazer o mesmo” e contribuir para a longevidade de um género que a encenadora considera ser parte da identidade de Portugal.

O grupo de teatro do CAL é constituído por atores amadores, “malta que gosta de se divertir”. “O nosso grupo não é muito grande, somos dez pessoas a fazer a revista”, explica a encenadora. O elenco deste ano conta também com a participação de alunas da Academia de Dança Sofia Rodrigues, da fadista Ana Valentim e do cantor César Matoso.

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