Sobre o Fim | Ouvir o ritmo das plantas
Sobre o Fim | Ouvir o ritmo das plantas

Sobre o Fim | Ouvir o ritmo das plantas

Os artistas Gio Lourenço e Sofia Berberan apresentam no Centro Cultural de Lagos, a 20 de março, o espetáculo “Sobre o Fim”. Trata-se da estreia de uma performance que parte do término de uma relação amorosa, cruzando o tempo dos homens com o ritmo da natureza. As plantas desempenham um papel fundamental em palco: são elas que constroem a banda sonora.

A performance cruza várias disciplinas, como a dança e as artes visuais. Esta conjugação nasce dos diferentes backgrounds dos dois artistas. Sofia Berberan é artista multidisciplinar e curadora, e investiga a relação entre artes visuais, botânica e performance; já Gio Lourenço é bailarino e ator.

“Estamos a fazer uma experiência que tem que ver com a captação do som das plantas”, explica Sofia Berberan. “A banda sonora do espetáculo é quase toda composta assim. As plantas não têm uma língua, mas têm uma linguagem.” Os sons das plantas são captados através de tecnologia que, em palco, reproduz também “a fala das plantas e a sua interação com os performers”.

Este relacionamento entre o humano e o vegetal vai ao encontro da ideia do fim – o fim de um relacionamento ou o fim do mundo. “Para as plantas o tempo é bastante diferente, porque funciona de modo cíclico, enquanto para os humanos funciona de forma cronológica. O espetáculo afirma um pouco isto”, diz a artista.

Sobre as outras protagonistas em palco, que são “a base do espetáculo”, Sofia Berberan lembra ainda que, no princípio do mundo, as plantas viviam na água e só depois surgiram em terra. “E é isso que nos permite viver. Elas produzem o oxigénio de que precisamos para sobreviver e de que elas próprias também necessitam.”

Mais novos e mesa-redonda

A performance de Gio Lourenço e Sofia Berberan, que convida a pensar na relação que temos com o meio onde vivemos, é seguida de uma mesa-redonda. “… Do fim, e para além dele” tem por objetivo pensar nas urgências que o novo milénio nos trouxe. Questões climáticas, extrativismo global e guerra têm desestabilizado a ideia de uma organicidade ecológica implícita às ideias de fim e de recomeço. Investigadores das ciências sociais e das artes vão discutir que ideias existem sobre o fim e que reinícios nos restam. A sessão conta com Cláudia Madeira, Lorena Tabares Salamanca, Surech Nampuri e Giovanni Tusa.

Está ainda programada uma oficina infantil para o dia 21 de março, às 10h00. As crianças, dos seis aos dez anos, vão ter acesso à investigação feita por Gio Lourenço e Sofia Berberan e captar o som das plantas, com o apoio dos sonoplastas da performance, Agatha Barbosa e Marcelo Lopes. A atividade “Som, folhas, flores e frutos” leva os participantes “a terem uma maior consciência ecológica e respeito por aquilo que nos envolve – as plantas fazem parte deste meio”, remata a artista.

Depois da estreia em Lagos, “Sobre o Fim” segue para o Porto, para ser apresentado a 16 e 17 de abril no Festival Dias da Dança, no Teatro Rivoli. A 3 de maio, a Estufa Fria de Lisboa recebe uma versão curta da performance e uma conferência sobre o tema.

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