Um Natal de todos
Um Natal de todos

Um Natal de todos

O Natal já se sente em Lagos com o centro histórico engalanado para celebrar a quadra. O programa organizado pelo Município arrancou a 29 de novembro e vai até ao dia 10 de janeiro. Os eventos em torno da época favorita dos mais novos (e de muitos mais velhos) decorrem sobretudo na Praça do Infante e na zona envolvente.

À semelhança de outras localidades portuguesas, também em Lagos há uma Aldeia de Natal, com uma casa para o Pai Natal no centro histórico da cidade. Mas a cidade faz a diferença com a oferta cultural que, por estes dias, é apresentada não só nas ruas, mas também noutros pontos do concelho, dos mercados ao Centro Cultural, passando pelas igrejas e associações locais.

“De facto, muitos concelhos acabam por repetir mais ou menos a mesma fórmula, no sentido de trazer a casa do Pai Natal e um conjunto de animações ligadas à época que fazem parte da nossa cultura como portugueses”, diz Sara Coelho, vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lagos. “Mas temos algumas coisas que são específicas: vamos buscar muitos recursos ao nível local, seja através de associações e de clubes, quer através de pessoas particulares.” O envolvimento de quem vive na cidade faz com que haja “um cunho muito pessoal”, para o qual contribuem ainda empresas conhecidas em Lagos e que garantem que a celebração tenha características locais.

Sara Coelho dá, como exemplo, o presépio de Natal de José Cortes, em exposição no Centro Cultural de Lagos, obra doada pelo autor ao Município para que pudesse ser continuada. São 275 figuras de personagens variadas, 368 figuras de animais, 38 casinhas, a que se somam moinhos, uma igreja, uma escola, um coreto, uma nora com o burro, carroças puxadas por bois, e várias atividades, algumas das quais já desaparecidas. “Estamos a falar de um presépio que é muito de alguém e que não se trata de uma mera encomenda do Município efetuada a uma qualquer empresa. Tem o cunho de alguém que reside cá e que está cá”, aponta. A visita ao presépio é já um ritual das festividades de Natal em Lagos.  

“Na Praça do Infante, onde está a Aldeia de Natal, temos também um conjunto de associações locais que dão o seu cunho e trazem os seus produtos para aquele espaço, além das feirinhas de Natal que são efetuadas pela associação de artesãos locais”, acrescenta a vereadora. O Zoo de Lagos associou-se igualmente à festa, com a sua Natalândia, de 5 a 24 de dezembro.

Lagos é casa para várias comunidades estrangeiras e também elas participam nestas celebrações de Natal. Ao município chegaram propostas das comunidades ucraniana, sueca e britânica, que querem partilhar o modo como vivem a quadra. Sara Coelho explica que a integração é um processo gradual – “as comunidades também têm de se organizar no sentido de participarem cada vez mais” – que permite enriquecer a vida na cidade. “Todos juntos somos Lagos, pelo que ainda bem que todos querem participar e é algo que tem de ser continuado e cada vez mais fomentado.”

Duas rodas e comércio local

“O Natal está tradicionalmente ligado às crianças e à magia que sentem. No entanto, entendemos que deveríamos incluir um conjunto de atividades dedicadas aos adultos”, conta a vereadora. Oficinas, concertos de vários estilos musicais e o Passeio de Bicicleta de Pais Natais são alguns exemplos da oferta para os mais velhos. “Tentámos envolver toda a população, independentemente da faixa etária, para que todos se sintam integrados, para sermos todos uma grande família”, sublinha.

A programação é vasta e foi reforçada este ano. “Muito deste reforço tem, de facto, partido do interesse da própria comunidade. É fantástico, para quem está a organizar estes eventos, sentir que a comunidade participa com vontade e interesse. Não temos só o produto fabricado e apresentado à comunidade, mas temos a comunidade a desejar participar.”

Outra dimensão relevante das celebrações do Natal prende-se com o impacto que tem na economia local. A realização de eventos em zonas com comércio favorece as compras de Natal, além das possibilidades de prendas natalícias garantidas pelas feiras com produtos locais. “O facto de existir um conjunto de atividades apela a que as pessoas acorram a um mesmo local e que, aí, não só possam divertir-se, mas também fazer parte das suas compras.” A delegação de Lagos da Associação do Comércio e Serviços da Região do Algarve também se junta à iniciativa, “ao embelezar as ruas, com as passadeiras vermelhas que caracterizam o Natal”, e com compras que podem dar direito a prémios.

A Câmara Municipal de Lagos tem como objetivo criar valor para lá do que decorre do conjunto de eventos. “A soma é mais do que as partes. As coisas funcionam quando estamos todos a remar no mesmo sentido. Há, de facto, um valor acrescentado. As pessoas vão aos locais, não só pela mera atividade, mas porque se sentem também incluídas neste espírito de Natal a vários níveis”, remata Sara Coelho.

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