2026 no Centro Cultural | Um palco para todas as artes
2026 no Centro Cultural | Um palco para todas as artes

2026 no Centro Cultural | Um palco
para todas as artes

O Centro Cultural de Lagos (CCL) reafirma-se, em 2026, como um polo estruturante da vida artística e social do Município, assumindo a cultura e a criatividade como capacidades insubstituíveis e cruciais para a definição do que é ser humano.

A estratégia de atuação do CCL está organizada em seis eixos fundamentais, começando pela excelência artística e diversidade de linguagens, valorizando a inovação, o cruzamento disciplinar e o diálogo entre artistas consagrados e emergentes. Aposta na participação ativa da comunidade, com projetos que devolvem às pessoas o lugar de criadoras, co-construtoras e intérpretes do seu território: pretende-se fazer “com” e não apenas “para”.

A estrutura localizada na Rua Lançarote de Freitas procura ainda a descentralização e proximidade, com ações em freguesias e espaços não convencionais, integrando públicos habitualmente afastados da oferta cultural e convidando também à participação de públicos dos concelhos circundantes.

A mediação cultural continuará a ser um dos pilares do trabalho do CCL, promovendo a literacia artística e a reflexão crítica sobre as múltiplas dimensões da transformação psicossocial, geopolítica e antropológica contemporânea, afirmando o papel da arte e da criatividade na vida individual e coletiva, a partir da consciência do profundo impacto das práticas artísticas na saúde mental, no bem-estar e na coesão das comunidades.

Para este novo ano, o Centro Cultural de Lagos destaca ainda a importância da sustentabilidade e ecologia, integrando práticas conscientes de impacto ambiental e simbólico, num diálogo entre natureza, tecnologia e criação, com génese na abordagem sistémica e rizomática.

Por fim, nas matrizes de trabalho da entidade cabem ainda as redes e parcerias institucionais, fortalecendo o posicionamento de Lagos no contexto cultural regional e nacional, numa postura de criação conjunta e de circulação.

Partilhar, criar, sentir

Em 2026, o CCL quer reforçar a mediação cultural como eixo estruturante da sua ação. O desenvolvimento da relação com o público é entendido como um investimento de longo prazo, fundamental para a consolidação de uma política cultural democrática e sustentável. Conversas pós-espetáculo com artistas e equipas criativas, oficinas técnicas e momentos de experimentação são integrados como parte da experiência artística.

O serviço de mediação do Centro Cultural de Lagos, o Projeto VAGA, desenvolve processos de criação participativa com impacto real no tecido social. Destaca-se o projeto “E se Eu Tivesse Tudo…”, em parceria com a associação Questão Repetida e um grupo intergeracional do concelho, que durante vários meses trabalhará técnicas performativas e expressão coletiva, culminando num espetáculo.

Prevista está também uma nova edição do projeto “P.E.D.R.A. – Projeto Educativo em Dança de Repertório para Adolescentes”, desta vez em Lagos, numa parceria com a Culturgest e o Município de Torres Vedras, envolvendo jovens intérpretes locais e o coreógrafo Rui Horta, num exemplo de cooperação intermunicipal em dança.

Dos planos do CCL em termos de mediação cultural faz ainda parte a apresentação e workshop com o “Caderno Criar Coragem”, um instrumento pedagógico e artístico desenvolvido pelo Plano Nacional das Artes com Hugo Cruz, concebido para estimular a criatividade, o pensamento crítico e a participação cívica dos jovens. Organizado em três eixos — Perguntar, Pensar e Criar —, convida à reflexão sobre o mundo contemporâneo e à ação transformadora através das artes, da imaginação e do questionamento.

Lagos terá uma nova edição do “Cinema no Estendal”, em novo formato participativo: os cidadãos criam, filmam e exibem as suas próprias histórias nas freguesias.

Música e performance

“Orquestra do Selvagem”, dos Ordem do Ó, explora o cruzamento entre música e movimento; já o espetáculo “18 Months” é uma ópera de câmara multimédia que acompanha a jornada angustiante de pessoas forçadas a abandonar o seu país destruído pela guerra, buscando segurança, dignidade e um novo início. A Orquestra do Algarve interpreta “Tahiti”, um ‘double bill’ da ópera “Trouble in Tahiti”, de Leonard Bernstein e de “Pacific Pleasures” de Alannah Marie Halay, com libreto de Jorge Balça e direção musical de Paulo Urbina.

São algumas das propostas musicais do CCL para 2026, ano em que o evento Noites no Cais trará à cidade os La Barca, os Afro Anatolian Tales e os Aiê, acompanhados por uma instalação multimédia do artista Nuno Pimenta, da equipa Vhils (Cultural Affairs), que articula som, imagem e o património de Lagos.

Os Moura, Momi Maiga e Máximo, no programa À Noite no Pátio, reforçam a utilização do espaço ao ar livre no CCL como mais um lugar de encontro e fruição artística.

Teatro e dramaturgia

No teatro, destaque, desde logo, para “A Mais Velha Profissão” (com Júlia Pinheiro, Helena Isabel, Paula Guedes, Paula Mora, Valerie Braddell e Heitor Lourenço), uma reflexão sobre o envelhecimento e o papel da mulher na sociedade contemporânea. Referência ainda para o espetáculo “Só mais uma gaivota”, da companhia Formiga Atómica, e o regresso do ciclo de leituras da Cepa Torta “Esta Noite Grita-se”.

O CCL salienta também o ciclo “É Urgente a Compreensão Humana”, em modelo de residência artística com a comunidade, promovendo o diálogo entre artistas e cidadãos sobre o sentido da convivência e da empatia.

Artes visuais e interdisciplinares

Em 2026, o Centro Cultural acolhe “Sobre o Fim” da Produtora Medusa, projeto de teatro e instalação sonora com registos sonoros de plantas, explorando ecologia, tecnologia e escuta profunda nos relacionamentos humanos.

A exposição “Instruments”, de Victor Gama, convida o público a tocar instrumentos criados pelo artista, culminando num concerto participativo.

Estão ainda planeadas novas exposições com ações de mediação reforçadas, como open studios com os artistas, oficinas de pintura e um kirtan – canto de mantras na sala de exposições.

Circo e dança

“Liberdade”, projeto de circo contemporâneo da responsabilidade dos Momento, é apresentado numa estrutura gigante, em permanente movimento, construída no pátio especialmente para o espetáculo. Promete ser um dos grandes momentos de 2026 no que diz respeito a este género de artes performativas.

A Companhia Maria Pagés apresenta o espetáculo “O Paraíso dos Negros”, a partir dos poemas de Sor Juana Inés de la Cruz e Federico García Lorca. Atravessando influências da cultura africana e do pensamento de Nina Simone, desenha o retrato de uma mulher que observa a sua humanidade insustentável, ao mesmo tempo frágil e resiliente. A coreografia combina sapateado e voz, música ao vivo e instalação cénica.

Por último, o espetáculo “#hashtagfree”, dos Quórum Dance, em que se destaca a libertação do corpo e da criatividade perante convenções e padrões pré-estabelecidos, explora a espontaneidade e a autenticidade do movimento.

Redes e parcerias culturais

O Município de Lagos, através do CCL, continua a apoiar a criação artística contemporânea através de coproduções com estruturas regionais e nacionais, contribuindo de forma prioritária para as associações culturais sediadas no concelho, com o objetivo de criar melhores condições para que o trabalho artístico local e regional ganhe escala, consistência e projeção. Os apoios concedidos são objeto de revisão anual, sendo que os projetos de continuidade apoiados são considerados estratégicos para a programação cultural do Município, tanto no enquadramento e desenvolvimento de públicos nas várias áreas artísticas como no apoio sustentado à criação desenvolvida no concelho, de caráter associativo e individual.

A política de parcerias mantém-se, assim, estruturante no trabalho do CCL. Em 2026, realizam-se novas edições do Festival Pedra Dura (CAMA a.C.), dos Encontros Gymnasium (casaBranca) e do Festival Primavera Dança (AORCA), reforçando o compromisso do Município com os agentes culturais locais.

Pretende-se igualmente trabalhar na dinamização da Rede Azul – apoio à circulação de projetos regionais e à criação, através da colaboração com outros equipamentos municipais. No âmbito das estruturas regionais, o CCL desenvolve ainda uma parceria com a DEVIR/CAPA, na Formação Avançada em Artes Performativas 2026, nos encontros do DeVIR.

Será também reforçada a ligação a instituições de referência como Serralves, Culturgest, Teatro Nacional D. Maria II, Casa das Histórias Paula Rego e Museu do Chiado, bem como aos equipamentos culturais membros da RTCP, com quem o Centro Cultural colabora regularmente na coprodução de projetos e na circulação nacional de projetos de artes performativas.

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