O que aconteceu a 25 de Abril de 1974 mudou o destino de Portugal. O fim do regime permitiu traçar o caminho para a construção de um país livre, plural e democrático. Este ano, Lagos não lembra apenas a Revolução dos Cravos; celebra também o que veio depois: a aprovação da Constituição da República Portuguesa e as primeiras eleições para o poder local.
É uma tripla celebração: o Município de Lagos decidiu, este ano, definir um programa cultural vasto que pretende não só comemorar o 25 de Abril, mas também honrar os cinquenta anos da aprovação da Constituição da República Portuguesa e das primeiras eleições para o poder local. Se a Revolução dos Cravos foi o momento decisivo para a mudança, a aprovação do documento fundamental do país e a primeira ida às urnas nos municípios vieram consubstanciar a liberdade alcançada em abril de 1974.
As celebrações – com o programa “Lagos, Liberdade e Democracia” – são um desafio coletivo – instituições, escolas, associações e cidadãos são convidados a refletir sobre o caminho feito nesta última metade de século, mas também a homenagear aqueles que contribuíram para a liberdade e a projetar, com responsabilidade e esperança, o futuro de Portugal. Entre momentos institucionais, colóquios, conferências, palestras e entrevistas, há ainda espaço e tempo para atividades com a comunidade escolar, visitas guiadas, workshops, livros e desporto, num programa que se estende até ao final do ano.
Da bandeira ao cinema
O programa “Lagos, Liberdade e Democracia” conhece a 25 de abril momentos institucionais, com a cerimónia de hastear da bandeira e a sessão solene conjunta da Assembleia Municipal, Câmara Municipal e Assembleia da Juventude. Das várias atividades para os próximos dias, destaque para a exposição “Pela Borda Fora: A exclusão no Estado Novo português”, na Biblioteca Municipal. Já a partir do dia 24 e até ao final de agosto, nos mercados municipais, é possível ver uma intervenção artística comunitária: a exposição de rua “A Ressonância das Tuas Palavras” resulta de um processo participativo da comunidade sénior. A 25 de abril há ainda uma visita guiada por locais de Lagos que serviram de palco para a celebração popular aquando da Revolução dos Cravos. Já a Orquestra Ligeira de Lagos canta as Vozes da Liberdade, no concerto que marca o dia.
No que toca às atividades destinadas à comunidade escolar, ao longo do ano estão a ser desenvolvidos dois projetos – “Portugal, Lagos e o 25 de Abril de 1974” e “Do 25 de Abril ao 25 de Novembro”. Tem ainda estado a ser exibido o documentário “Lagos, 25 de Abril: as minhas memórias, a nossa história”, seguido de um debate com docentes e discentes. Já no próximo ano letivo, haverá um programa especial para realçar a importância da democracia.
Da ampla programação de 2026 com foco na liberdade – e que poderá ser consultada neste site –, nota para o ciclo de cinema que acontece já em maio. “Fragmentos de Abril: cinema para pensar a revolução” leva à Biblioteca de Lagos três filmes a não perder: “Futebol de Causas”, de Ricardo Martins, “Por ti, Portugal, eu juro!”, de Sofia da Palma Rodrigues e Diogo Cardoso, e “Portugueses”, de Vicente Alves do Ó.
Partilhar a liberdade
Fora da cidade, o 25 de Abril de 1974 também se festeja. “Barão Convida: Liberdade e Democracia” arranca com a criação coletiva de cravos em tecido e em crochê para serem distribuídos num encontro comunitário agendado para a Casa da Paragem, em Barão de São João.
Há várias atividades pensadas para a tarde de sábado, desde logo a iniciativa “Testemunhos da Liberdade”, um círculo de partilha de memórias e testemunhos, e um diálogo com antigos autarcas e cidadãos sobre as primeiras eleições democráticas na freguesia. O Coro da Primavera – formação de Barão de São João – estreia-se com dois momentos musicais. Haverá também poesia, a exibição de um painel de memória coletiva e uma instalação narrativa.


