O Centro Cultural de Lagos acolhe, até ao dia 4 de julho, a exposição “Geografias pessoais”, um projeto que junta artistas de diferentes áreas em torno da ideia de corpo e território. Desenhos, objetos, palavras e projeções servem para mostrar que são ténues as linhas que nos dividem dos espaços que habitamos.
Leonor Morais tem no desenho a forma como se move. Isabel Machado é da área do cinema e Conceição Gonçalves vem do teatro. Já Albina Petrollati trabalha com movimento e mediação. O que fazem estas quatro mulheres juntas? Uma exposição que cruza formas artísticas e percursos de vida, e que pretende ser uma experiência para aqueles que a visitarem.
“Geografias pessoais”, explica Leonor Morais, “tem como inspiração um pequeno texto de Leonardo da Vinci que faz a comparação entre o corpo da terra e o corpo do ser humano”. Esta reflexão é transposta para o Centro Cultural de Lagos com o contributo das várias artistas.
“A exposição começa comigo e com o meu trabalho”, explica Leonor Morais, que vê o desenho como sendo transversal a todas as áreas. “Para mim o desenho são os caminhos que percorro, a forma como me cruzo com outras vidas e com outras pessoas, com áreas diferentes.”
Em termos práticos, a exposição é composta por uma instalação com estruturas que “têm que ver com as nossas vivências do dia-a-dia, com os lugares que habitamos e com desenhos – alguns em tecido, que fazem a relação com a pele, um território que faz a ligação entre o interior e o exterior”. Juntam-se projeções de vídeo, objetos e histórias, e ainda uma série de mapas de desenhos de diferentes épocas da vida de Leonor Morais, que “quebram a linha do tempo”.
“Toda esta exposição tem que ver com uma relação muito íntima com a natureza, a forma como a natureza nos habita e nós a habitamos, nisto de sermos corpo, de o nosso corpo ser uma casa e de a casa ser um corpo, e de todo o espaço da natureza ser esse corpo vivo”, diz. “Não somos um ser independente da natureza.”
Tal como o nome indica, trata-se de uma exposição em que o cruzamento de diferentes áreas artísticas é feito de “uma forma muito pessoal”, um modo de estar que se aplica igualmente a quem a interpreta. “Mais do que ser visitada, o objetivo é habitá-la e vivê-la, tanto nas oficinas, como na pequena residência” que consta do projeto. “O público vai ser cocriador de novos conteúdos, de uma experiência que poderá desenrolar-se noutros projetos pessoais”, explica.
“Geografias pessoais”contempla um programa de mediação composto por dez oficinas dirigidas a vários públicos (escolas, instituições, famílias e público em geral), e uma residência artística de cinco dias, aberta a participantes de todas as idades, que aprofunda a relação entre corpo e desenho.


