“Durarei por paz e nunca por mal” | A devolução do tempo
“Durarei por paz e nunca por mal” | A devolução do tempo

“Durarei por paz
e nunca por mal” |
A devolução do tempo

O Centro Cultural de Lagos recebe, no dia 28 de fevereiro, o espetáculo “Durarei por paz e nunca por mal”, um solo de dança de Mélanie Ferreira com a coreografia de Daniel Matos, no âmbito do trabalho produzido pela CAMA a.c.. É uma peça com um “trabalho de luz muito forte”, explica o coreógrafo, em que os espectadores são chamados ao palco para que a contemplação aconteça de uma perspetiva diferente.

“O público está em palco com a Mélanie. É um solo que, ao mesmo tempo, é acompanhado por 24 tábuas de madeira”, diz. Os espectadores posicionam-se nas laterais deste objeto cenográfico e “é como se fossem as suas paredes”. A peça desenvolve-se “através da relação da Mélanie com as tábuas de madeira e a dramaturgia é toda dada através do som”.

Este solo tem como ideia central o ato de esperar, nos muitos sentidos que a língua portuguesa lhe confere: esperar é aguardar, mas também ter esperança, imaginar ou manter-se em expectativa. O que pode o público esperar deste espetáculo?  “‘Durarei por paz e nunca por mal’ é realmente sobre o que se pode esperar, do que é que se espera quando se entra numa sala de espetáculos, do que é que se espera quando se está no foyer do teatro para entrar, do que é que se espera no metro”, desdobra Daniel Matos. “É acerca da noção de espera e da ideia de se ter uma expectativa qualquer.”

O verbo central do espetáculo está relacionado com o processo de trabalho entre bailarina e coreógrafo. “Já não trabalhávamos há algum tempo. Esta ideia de esperar também está muito ligada ao nosso relacionamento e à nossa maneira de operar – esperar para voltarmos a trabalhar, esperar para nos encontrarmos”, diz. “O que se espera enquanto se espera? Quais são as expectativas que temos? Foi assim que esse projeto se iniciou e se desenvolveu: como é que se encontra esse lugar de espera e como é que pomos o público à espera de alguma coisa que é simples”, acrescenta o coreógrafo.

“Durarei por paz e nunca por mal” é, em certa medida, uma proposta em contratempo, se atendermos à velocidade com que vivemos. “Os pormenores já não existem. Parece que o mundo deixa de existir”, observa Daniel Matos, acrescentando que o mundo precisa que aguardemos por ele. “Já não esperamos que o fruto amadureça na árvore; já está no supermercado maduro para ser consumido. Quanto menos esperamos pelo mundo, menos o mundo existe.”

O solo de Mélanie Ferreira e Daniel Matos já esteve no Porto e em Viseu. Lagos é a última oportunidade para esperar e ter expectativas sobre “Durarei por paz e nunca por mal”.

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