Emraizart | As artes no meio de sobreiros
Emraizart | As artes no meio de sobreiros

Emraizart | As artes
no meio de sobreiros

A princípio, foi uma vontade: havia quem achasse que seria boa ideia pensar num festival desenhado para crianças, em contacto com a natureza. A associação já vinha a trabalhar com miúdos, pelo que fazia todo o sentido criar um momento do ano de ligação intensa com crianças, pais, árvores e ar puro. Ainda mais porque, naquela altura, uns e outros recuperavam de dias de recolhimento.

Já na quinta edição, o Emraizart – Festival de Circo e Teatro nasceu no pós-COVID. “Queríamos que fosse um festival que tivesse espaço para brincar e estar com os outros, para o reencontro”, recorda Nelda Magalhães, presidente da direção do Teatro Experimental de Lagos (TEL), associação responsável pela iniciativa.

Uma mão cheia de anos depois, o festival já se faz sem corredores de circulação, nem controlo de distâncias. Mas continua a ter como intuito a filosofia que esteve na génese. “Nasceu de uma ideia de partilha, de oferta, de estarmos na natureza. Sentimos muito a necessidade de tirar os miúdos da cidade, do betão, de haver uma ligação à terra”, diz.

Ao longo dos anos, o Emraizart foi crescendo, com um princípio bem claro: o TEL procura oferecer programação a crianças e jovens que os envolva e que lhes dê “formação, pensamento crítico, não só como público, mas como atores, como artistas, como comunidade envolvida”. Assim, além dos espetáculos, há workshops e oficinas para crianças e famílias. Às valências do circo e do teatro juntam-se as áreas da permacultura e das artes visuais.

O festival começou já a 29 de setembro, com sessões específicas para escolas. A 4 e 5 de outubro, o programa é para o público em geral, com a Quinta Velha, no Cotifo, a abrir portas a artistas e participantes. Entre programas só para alunos e os dias para as famílias, o Emraizart chega a cerca de 1500 pessoas, oriundas do concelho de Lagos e zonas em redor.

Com os reencontros como mote, “os espetáculos são sempre muito equilibrados dentro da linha da proposta de circo, teatro físico e humor”. Nelda Magalhães tem dificuldade em eleger um espetáculo imperdível. “O festival em si é uma experiência na natureza – o público não vai ver um espetáculo específico, mas sim viver” o Emraizart.

Ainda assim, a presidente da TEL destaca um momento, por fugir à tónica do restante alinhamento: V.O.GO.T., do Duo Masawa. “É um espetáculo de acrobacia e dança contemporânea – a dança é uma novidade para nós, ao nível de linguagem –, que não cai tanto na linha do humor, que temos privilegiado, mas que vem trazer uma relação mais sensível com a escuta do meio que nos rodeia”, explica.

Mais crianças

Ainda a quinta edição vai no adro e já se pensa no próximo ano, até porque há sempre artistas que ainda não foi possível apresentar no festival. Também se quer chegar a mais público e a público diversificado, o que este ano já foi acontecendo. “Temos um dia dedicado a outros formatos escolares. Estamos rodeados por muitas escolas alternativas, não só no concelho de Lagos, como à volta, e também por instituições com projetos próprios. Queremos potenciar a ideia de celebração com a comunidade.”

Aumentar a lotação da Quinta Velha, que esgota todos os anos, está fora de questão. O espaço tem as fragilidades próprias da natureza. Mas a organização pondera alargar o festival em número de dias, sobretudo para as escolas. “É muito importante proporcionar experiências diferentes aos alunos. Temos de pensar neste impacto na comunidade, como contribui para o crescimento da comunidade, e o que tem para lhe oferecer – pensar no futuro é isso”, resume Nelda Magalhães.

Com o desenvolvimento do festival, têm sido cada vez mais as organizações que se têm juntado ao evento. A presidente do TEL destaca o apoio das entidades públicas locais, regionais e nacionais, não só em termos de financiamento, mas por serem “todos uma equipa”. “Temos também os parceiros associativos, muitas associações e entidades que estão ligadas ao festival e que nos apoiam de várias formas, não só de Lagos, mas de outros pontos do Algarve”, elenca a responsável. “É este envolvimento que faz com que o festival cresça.” O Emraizart conta ainda com o apoio da Direção-Geral das Artes e da CCDR Algarve, que se aliou este ano.

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