Exposição de Rui Sanches | Aprender a ver, aprender a ler
Exposição de Rui Sanches | Aprender a ver, aprender a ler

Exposição de Rui Sanches | Aprender a ver, aprender a ler

De um quadro ou de uma escultura gosta-se ou não, mas perceber uma obra de arte tem muito que se lhe diga. Há ferramentas que nos ajudam a compreender o que vemos. No Centro Cultural de Lagos, a Fundação de Serralves contribui para que o público saiba mais sobre a obra de Rui Sanches.

Uma obra de arte representa um mundo – ou vários. Nasce da imaginação do seu autor, dos contextos em que a pensou, dos meios que teve para a produzir. É também sinónimo de uma época, de vontade de romper com o passado ou de o transformar, de alterar o presente ou de apenas o contemplar. Nunca se sabe, com toda a certeza, o que vemos quando olhamos para um desenho ou uma escultura. Gostamos mais ou menos; sabemos interpretá-la mais ou menos.

Para ajudar a compreender as obras que tem no seu acervo, a Fundação de Serralves desenvolve um programa educativo que transporta para o programa de itinerâncias planeado em colaboração com as Autarquias Fundadoras da instituição do Porto. Lagos recebe, até ao dia 4 de abril, a exposição “Linha e mancha, corpo e máquina”, que reúne obras de escultura e desenho representativas de três décadas de trabalho de Rui Sanches. No próximo dia 14 de março, o Centro Cultural acolhe duas atividades para que o público fique a saber mais sobre o artista e a obra, mas também sobre arte contemporânea.

De manhã, entre as 10h e as 12h, decorre uma oficina para famílias. Rui Sanches desenvolve o seu trabalho entre a escultura e o desenho. O corpo humano transforma-se em combinações de sólidos geométricos feitos de madeira, metal e outros materiais que se assemelham a máquinas. Nos seus desenhos, a expressividade das linhas e manchas sugerem a liberdade do movimento. Nesta atividade, com base nos conceitos explorados pelo artista, propõe-se aos participantes o recurso a técnicas como o desenho, recorte, colagem e acumulação para criar um corpo máquina.

Para a tarde, às 15h, está agendada uma visita orientada. Ambas as atividades são conduzidas pela equipa de mediadores de Serralves. Tanto a oficina para famílias, como a visita à exposição têm a lotação máxima de 25 pessoas.

Um artista com “uma prática singular”

A obra que Rui Sanches (Lisboa, 1954) desenvolve desde o início dos anos 1980 acompanhou a tendência internacional revivalista desse período num regresso à materialidade. A prática do artista é ancorada em diálogos cruzados com a história da arte, a arquitetura e o corpo humano, questionando pressupostos da pintura clássica e da escultura contemporânea.

Rui Sanches pertence à geração que viveu o 25 de Abril de 1974. Apesar de não ter estado no exílio antes da Revolução dos Cravos, como outros artistas portugueses, saiu de Portugal para também ele regressar com “um conhecimento internacional” que se revelou de grande importância para o meio artístico nacional, ao tornar-se referência e influência. Desenvolveu ainda “uma prática bastante singular”, afirma o curador da exposição, Carlos Magalhães. “É, por isso, uma figura de grande peso na cultura e nas práticas artísticas portuguesas.”

Centrada na arte contemporânea desde os anos 1960 até à atualidade, a Coleção de Serralves tem vindo a ser divulgada junto de públicos diversos através de um programa de itinerâncias planeado em colaboração com as Autarquias Fundadoras de Serralves. Esta partilha, que se traduz num processo de “democratização das obras de arte”, permite ao público ter acesso a cultura e, consequentemente, desenvolver um olhar atento e uma crescente capacidade crítica. O programa educativo vem reforçar a vontade que Serralves tem de permitir a quem vê explorar os conceitos dos universos criativos dos artistas e da arte contemporânea.

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