Ir ao mar em festa
Ir ao mar em festa

Ir ao mar em festa

A origem perde-se no tempo. Presume-se que os primeiros banhos tenham acontecido na altura em que a Península Ibérica foi ocupada pelos árabes. Certo é que a tradição atravessou séculos. “Há registos de romarias de camponeses. Eram pessoas que vinham da serra com o seu farnel, nas suas carroças e com os seus animais, uma vez por ano, tomar um banho que valeria por 29 banhos”, contextualiza a vereadora da Cultura de Lagos, Sara Coelho.

O banho tinha “um valor simbólico, de purificação, e representava um momento comunitário marcante”. Apesar de ser um ritual ainda pouco estudado, “há fotografias antigas e também registos escritos que comprovam que isto era uma prática habitual”, sobretudo para quem vivia longe do mar.

Tradição nalguns concelhos do Baixo Alentejo e do Algarve, o Banho 29 conhece hoje em Lagos a sua maior expressão. Na década de 1980, “houve um conjunto de pessoas no concelho que começou a reviver esta tradição”. A Câmara Municipal tornou a festa mais estruturada. Realiza-se sobretudo no Cais da Solaria, mas um pouco por todas as praias do concelho existem grupos que se reúnem para o banho mais concorrido do ano.

“É uma festa muito participada. As pessoas fazem algo que é único: não é todos os dias que entramos no mar à meia-noite, sobretudo em conjunto com os amigos, com a família, num ambiente festivo. Isso, de facto, acaba por atrair as pessoas e tornar este evento muito diferente de todos os outros”, destaca Sara Coelho.

Na cidade, o Banho 29 começa cedo, com contornos tradicionais: há concursos de traje de banho, a recriação do Banho 29 em colaboração com o Centro de Estudos de Lagos, animação e muita música. A ida ao mar faz-se pela meia-noite, com fogo-de-artifício a acompanhar, e a música prolonga-se ao pé da Praia da Batata.

Mais recentemente, a Praia da Luz começou também a organizar o Banho 29, com uma oferta diferente da de Lagos. A iniciativa, que partiu do Clube Luzense e da junta de freguesia, atualmente com o apoio da autarquia, tem uma vertente diferente: desdobra-se em três palcos, direcionados para diferentes tipos de público, numa festa que é “mais moderna”.

Momento que conta com uma enorme adesão dos residentes de Lagos, o Banho 29 é também muito procurado por quem está de visita. “Cada vez mais, aquilo que sentimos ao nível do turismo é que as pessoas vêm não só pelo sol e pela praia, mas também para experimentar as nossas práticas, as nossas tradições, a nossa forma de estar e de viver, e de interagir com as populações”, diz a vereadora da Cultura. “Temos não só a acorrer aos diferentes locais do Banho 29 a nossa população – e os residentes são compostos por um conjunto muito diversificado de pessoas, porque o Algarve tem uma população multicultural e internacional –, mas também todos os turistas, que são convidados a participar”, remata Sara Coelho.

29 de agosto

Lagos

11h00 | Avenida dos Descobrimentos e Praia da Batata | Recriação da tradição do Banho 29, pelo Centro de Estudos de Lagos

18h00 | Cais da Solaria | Aula de Zumba com Ana Leal

18h45 | Cais da Solaria | Animação circulante com Nuno & Companhia

19h30 | Jardim da Constituição | Trio da Orquestra de Jazz do Algarve

20h30 | Jardim da Constituição | DJ André Salgueiro

20h30 | Cais da Solaria | Concurso de Trajes de Banho Tradicionais (inscrições aqui)

21h30 | Jardim da Constituição | Concurso de Moda/ Estilismo de Trajes de Banho

22h30 | Rebeca

00h00 | Fogo-de-artifício e Banho Noturno

00h15 | MT 80 – We Rock the 80s

Praia da Luz

Palco Rocha Negra | 19h00

Kooyah Sound, Quem é o Bob, Relax Synthpop, TobyOne, Dub Fx, YVES V.

Palco Tradicional (Areal) | 18h00

Latin Wave, Cláudio Rosário, Ana Ritta, Humberto Silva.

Palco Sunset (Fortaleza) | 18h00

DJ G-ROD, João Faísca, Swithas Band.

Fotografias: Francisco Castelo | Câmara Municipal de Lagos

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