Assinala-se a 8 de março o Dia Internacional da Mulher. A data tem origem em greves e protestos com mais de um século, e foi oficializada pela ONU em 1975. As causas que estiveram na sua origem mantêm-se atuais: há ainda um longo caminho para que mulheres e homens tenham iguais direitos. Neste texto, lembramos mulheres de Lagos que, na cidade ou fora dela, fizeram a diferença e contribuíram para um mundo mais justo.
Foi uma ativista republicana empenhada na luta dos direitos das mulheres. Adelina Berger nasceu em Lagos em 1865 e foi em casa dela que nasceu o Núcleo de Lagos da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, ao qual viria a presidir, numa altura em que, em Lisboa, ainda havia um rei.
“Era uma mulher muito ativa na causa republicana”, observa o historiador Artur de Jesus, que destaca o seu anticlericalismo. Casada com José Júlio Berger, presidente da Câmara de Lagos entre janeiro de 1910 e outubro de 1911, Adelina Berger vivia num contexto republicano intenso: Lagos era uma das 12 câmaras republicanas ainda no tempo da monarquia.
“Foi também uma admiradora do médico Miguel Bombarda, uma das figuras emblemáticas do republicanismo”, acrescenta o historiador. A ativista desempenhou um papel essencial na recolha de donativos para as vítimas de um terramoto que aconteceu no Ribatejo em 1909. Mais tarde, já depois da implantação da República a 5 de outubro de 1910, empenhou-se na promulgação da lei do divórcio.
O ativismo de Adelina Berger levou-a a fixar-se na capital com a família, onde viria a morrer em 1923, aos 57 anos.
Arminda Nunes Correia, cantora lírica e professora, nasceu em Lagos em 1903. Começou os estudos de música aos sete anos, tendo mais tarde frequentado o Conservatório Nacional em Lisboa. A primeira apresentação pública aconteceu em 1926, tendo no ano seguinte cantado no Teatro Nacional de São Carlos. “Passou pelos mais importantes palcos portugueses e foi também uma voz conhecida nas estações de rádio”, diz Artur de Jesus. “Foi professora de canto no Conservatório Nacional a partir de 1957, deu aulas na Academia dos Amadores de Música e passou também pelo Teatro D. Maria II.” Cantou ainda em palcos europeus.
A voz de Arminda Nunes Correia foi muito elogiada pela sua versatilidade e pela capacidade expressiva. Distinguiu-se ainda como docente, tendo dado aulas a Natália de Matos e Elsa Saque, entre outras cantoras líricas de renome. Morreu a 21 de setembro de 1988, em Lisboa.
Nasceu em Lagos, em 1936, mas foi em França que se destacou: Laurete de Jesus Fonseca foi uma defensora dos emigrantes portugueses, tendo contribuído para a melhoria das condições de vida de quem habitava nos chamados “bidonvilles”.
“Partiu com a família para França em 1962 e, dois anos depois, foi para a Argélia. Em 1968, regressou a França e instalou-se nos arredores de Paris”, conta o historiador. “Culta e generosa, revelou-se muito importante pelo seu dinamismo. Apoiou os emigrantes portugueses servindo de intermediária entre eles e as autoridades francesas.”
Laurete de Jesus Fonseca foi uma porta-voz dos anseios dos emigrantes que viviam nos bairros de lata nos arredores de Paris. “Apoiou-os de forma bastante ativa e esse ativismo fez com que sofresse ameaças de expulsão de França por parte das autoridades.”
Tendo saído do país por causa da ditadura, preferiu não regressar a Portugal no pós-25 de Abril de 1974. Morreu em 2001 em Massy, local onde levou a cabo a sua luta.
Não é uma – são muitas. Na lista de mulheres de Lagos a não esquecer cabem todas as trabalhadoras das antigas fábricas conserveiras do concelho. “Entre o século XIX e o século XX existiram quarenta fábricas de conservas no concelho de Lagos e as mulheres eram a alma dessas fábricas”, destaca Artur de Jesus.
“Eram as mulheres que, assim que chegava o peixe do mar e tocava a sirene, iam imediatamente para as fábricas, para tratarem do peixe que, depois, ia para as latas feitas pelos homens e seguiam para o seu destino comercial.”
“As mulheres foram sempre importantíssimas na história de Lagos”, remata o historiador.





