Mão-cheia | Lagos com livros
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Lagos com livros

No mês em que se comemora o Dia do Município, deixamos sugestões de leitura sobre a cidade. Olhamos para fora, porque Lagos é mar, horizonte infinito e ponto de partida para outras geografias, mas vemos também como a urbe se desenvolveu dentro de portas. Encontramos ainda páginas que nos falam de mulheres valentes; outras que nos contam a história de tempos e hábitos difíceis. Entre narrativas de factos e ficção, são livros que estão na Biblioteca Municipal Júlio Dantas. Fica o desafio: levar para casa e ler.

Expostos – Meninos e meninas do concelho de Lagos

Maria foi abandonada “fora de muralhas” e nem nome tinha: seria o Doutor Juiz de Fora a batizá-la, depois de Ana Antónia e Sebastiana Rosa terem apanhado a menina do chão. Fora deixada por uma mulher que aparentava ser camponesa e que fez apenas uma recomendação: “Se ela chorar, dê-lhe de mamar”. Corria o ano de 1832. A história de Maria é contada em “Expostos – Meninos e meninas do concelho de Lagos”,da autoria de Maria de Fátima Santos. O livro vai à descoberta de crianças cujos pais se desconhecem. No registo de batismo, constava o termo “exposto” a identificar o abandono e a assinalar a ausência de contexto familiar.

A autora revisita as Casas da Roda que, no século XIX, passaram a acolher os meninos e meninas indesejados, e a evitar que fossem levados pela “tecedeira de anjos”, eufemismo usado para as mulheres responsáveis pelos infanticídios. Lagos também teve uma Casa da Roda e muitos expostos esquecidos, a quem a autora dá um novo rosto. A obra, de 2017, é uma edição da winPress e da Câmara Municipal de Lagos.

Mulheres a bordo!

É também sobre desconhecidos da história – ou desconhecidas – o livro que Mariana Caldeira Gonçalves escreveu em torno da expansão portuguesa. “Mulheres a bordo!”resulta de uma investigação que vai contra a corrente: D. Afonso V, D. Manuel I, Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e o Infante D. Henrique fizeram-se ao mar e é sobre eles que ouvimos falar, mas as mulheres tiveram um papel ativo e determinante na primeira globalização.

A autora, natural de Lagos, decidiu abandonar a interpretação da realidade construída apenas no masculino, pelo que este livro é uma novidade: mostra-nos uma faceta até agora ignorada pelos investigadores, e fala-nos das mulheres nos navios, das condições de vida a bordo e das dinâmicas de convivência quotidianas. Publicada em junho de 2025, a obra é uma edição da Parsifal.

Lagos e os Descobrimentos até 1460

Ainda sobre os Descobrimentos, com Lagos no papel principal, recomenda-se a leitura de um livro do historiador Rui Manuel Loureiro. Autor de uma vasta obra, especialista em história das relações de Portugal e Espanha com o mundo asiático nos séculos XVI e XVII, escreveu “Lagos e os Descobrimentos até 1460”, livro essencial para se perceber a importância da cidade na expansão marítima, e na génese e desenvolvimento dos descobridores portugueses. Afinal, foi de Lagos que partiram as primeiras caravelas, abrindo caminho às grandes navegações. O livro foi editado em 2008 pela Câmara Municipal de Lagos, a partir do ensaio original, datado de 1989.

A Evolução Urbanística de Lagos (séculos XV-XVIII)

As cidades são seres vivos: mexem-se, crescem, modificam-se, são feitas de artérias, de recantos, praças, muros e passagens. Esta obra de Daniela Nunes Pereira, doutorada em História, permite perceber como é que Lagos se desenvolveu e que preocupações existiram ao longo dos tempos em torno da ideia de urbanismo. Nas páginas de “A Evolução Urbanística de Lagos (séculos XV-XVIII)” fica-se a saber, por exemplo, que Lagos foi a quarta vila no reinado de D. João III a ser cercada, uma obra confiada ao mais importante engenheiro militar do reino, Miguel de Arruda. E também se aprende que, durante o consulado de D. Manuel I, a vila passou por um importante processo de urbanização, cujas operações eram submetidas a uma “planificação”. A “Evolução Urbanística de Lagos (séculos XV-XVIII)” é uma edição da Direção Regional de Cultura do Algarve, de 2017.

Diário de um escravo – O manuscrito de Manni

Da história para a ficção. Francisco Lima da Costa interessa-se pelo impacto da imigração no desenvolvimento das cidades. Recuou ao século XV, época de movimentos migratórios gerados pela escravatura, e decidiu escrever um romance. “Diário de um escravo – O manuscrito de Manni”parte de uma personagem do presente, Paulo Gonçalves, que encontra no sótão da casa de família um manuscrito do século XV, redigido por Manni Gonçalves. Assim se descobre a história de um dos primeiros escravos a ser capturado na costa ocidental africana, em 1441, e a ser trazido para Lagos pelos homens do Infante D. Henrique. Edição de autor, o livro foi publicado em 2020.

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