Há lá melhor prenda de Natal do que um livro? Não há. Nos livros escondem-se pessoas, paisagens, cheiros e emoções diferentes dos nossos: mundos desconhecidos à nossa espera em histórias mais ou menos surpreendentes. Com um livro, isso é certo, vamos a todos os lados. Numa altura em que se preparam sapatinhos e árvores com bolas e estrelas, ficam aqui cinco sugestões para os mais novos, enquadradas na época. Estão todas disponíveis na Biblioteca Municipal de Lagos, prontas a serem levadas para casa e lidas até à última letra.
Babushka
A primeira sugestão chama-se “Babushka” e é um livro da autora britânica Sandra Ann Horn, que escreve para crianças desde 1996. Com ilustrações de Sophie Fatus, os leitores são convidados a seguir Babushka e o seu canário amarelo numa caminhada para Belém, para conhecerem um bebé recém-nascido muito especial.
A protagonista desta história passa a vida preocupada com a limpeza da casa e, distraída que anda com o pó e a sujidade, não se apercebe do que acontece à sua volta: uma nova estrela nasce no céu e um anjo paira no jardim. Mas recebe uma visita de três reis magos, com uma excitante notícia, e tem um sonho sobre um menino nascido numa manjedoura. Babushka fica horrorizada ao pensar que o pobre bebé pode estar cheio de frio naquele estábulo. Decide ajudá-lo, depois de os reis magos terem ido embora. Leva um xaile para aquecer o bebé e uma cesta cheia de presentes. Porém, na viagem, encontra gente muito diferente e depressa aprende uma lição que vale ouro.
Sandra Ann Horn | Campo das Letras
A Noite de Natal do Olaf
Nasceu em 2013 e é, provavelmente, o boneco de neve mais famoso do mundo. É também o mais simpático, trapalhão e cómico. É obcecado pelo verão e adora abraços quentinhos. Personagem da Disney criada para o filme “Frozen”, Olaf teve direito, mais tarde, a um filme em que é a figura central. Também neste livro as princesas ficam em segundo plano.
Era noite de Natal e, por toda a casa, silêncio absoluto. Nada se ouvia, até um misterioso ruído acordar o Olaf. Para sabermos o que se passa, é preciso acompanhar o Olaf nesta aventura literária, uma surpresa para um Natal inesquecível, escrita por Jessica Julius e ilustrada por Olga T. Mosqueda.
Jessica Julius | Dom Quixote
Dicionário do Pai Natal
É uma obra essencial para se ficar a saber mais sobre o barrigudo de barba branca que, uma vez por ano, tem a missão de distribuir presentes pelas crianças. Neste dicionário ficamos a saber, na letra A, que “aborrecido” é o estado constante do Pai Natal, sempre de cabeça no ar – pode, por exemplo, coser o barrete à barba. Já na letra B, de “brinquedo”, este livro explica-nos que “o Pai Natal experimenta sempre os brinquedos que fabrica para os meninos; mas ele dá-lhos mesmo quando não funcionam, porque mais vale um brinquedo que não funciona, do que brinquedo nenhum”. Uma constatação óbvia.
Grégoire Solotareff, que descodificou a linguagem do habitante mais conhecido da Lapónia, deixa-nos um aviso para o verbo “ler”, na letra L: “Se receberes uma carta vermelha da qual não consegues ler uma única palavra, é certamente uma carta do Pai Natal”. E conta-nos um segredo zoológico, palavra que começa com Z, tal como “zebra” – “a zebra de Natal é uma zebra vulgar, mas em vez de linhas negras, tem linhas vermelhas e não existe”.
Artista, escritor e ilustrador de livros infantis, o francês Grégoire Solotareff foi médico entre 1978 e 1985, antes de descobrir que o mundo da literatura infantil é muito mais divertido.
Grégoire Solotareff | Campo das Letras
A Noite de Natal
Nesta lista não poderia faltar uma obra portuguesa – e, das várias que há, a de Sophia de Mello Breyner Andresen é de leitura obrigatória. Numa época do ano de muitas tentações, aconselha-se voltar ao início: o Natal não são prendas, não são enfeites, não são mesas feitas de doces e tentações. É muito mais do que isso, por ser algo que não é possível comprar.
Em casa da Joana, a consoada é cheia de abundância e alegria. Contudo, a menina lembra-se do seu amigo Manuel, que nem vai ter presentes, nem uma mesa farta nessa noite tão especial. Decide, por isso, ir ter com ele e dar-lhe o que recebeu. Guiada por uma estrela, Joana descobre, nessa noite, o verdadeiro Natal. Um livro para nos lembrarmos de que somos todos iguais, apesar de todas as diferenças.
Com ilustrações de Jorge Nesbitt, “A Noite de Natal” é da autoria de uma poetisa que, com o nascimento dos filhos, começou a escrever contos infantis. Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu em 1919, no Porto. Estudou Filologia Clássica e publicou os primeiros versos em 1940. Os seus livros estão traduzidos em várias línguas e foi muitas vezes premiada. Em termos cívicos, teve uma atitude interventiva, denunciando ativamente o regime salazarista e os seus seguidores.
Sophia de Mello Breyner Andresen | Porto Editora
Um Conto de Natal
Escrito em 1843, “Um Conto de Natal” ou “O Natal do Sr. Scrooge” é talvez um dos mais conhecidos contos da literatura universal. Todo o sortilégio do Natal é tratado na prosa de um dos melhores caricaturistas sociais de todos os tempos, Charles Dickens, capaz de apreender e transmitir o verdadeiro espírito natalício. Lido por várias gerações, adaptado ao teatro, cinema e televisão, muitos são aqueles que já ouviram falar do fantasma do Natal Passado, do fantasma do Natal Presente e do fantasma do Natal Futuro. E do velho avarento que é visitado por estes espíritos, que lhe transmitirão o sentido do Natal.
Charles Dickens nasceu em 1812, em Portsmouth, no seio de uma família modesta, tendo sido obrigado a trabalhar quando era ainda criança. Fez o ensino primário e arranjou emprego como ajudante num escritório de advogados. Mais tarde, tornou-se jornalista e, aos 21 anos, iniciou a carreira de escritor. “David Copperfield” e “Oliver Twist” são algumas das suas obras mais conhecidas, centradas na miséria das classes sociais mais baixas e na precariedade da infância.
Esta edição de “Um Conto de Natal” tem as imagens originais concebidas por John Leech, o ilustrador preferido de Dickens.
Charles Dickens | Publicações Europa-América




