Um festival com a dança no centro
Um festival com a dança no centro

Um festival com a dança no centro

É a dança que está na origem e é em redor dela que tudo acontece, mas o Pedra Dura é mais do que um conjunto de espetáculos em que os corpos se movimentam de forma coreografada. Entre 4 e 9 de novembro, Lagos volta a ser palco, pela quarta vez, de um festival que junta filmes, música, conversas, masterclasses e artes plásticas, com a dança como ponto de partida. Há momentos para adultos, espetáculos para escolas e estúdios abertos.

Daniel Matos, codiretor artístico, e responsável pela curadoria e programação do Pedra Dura, utiliza o termo “pluralidade” para descrever a essência do festival, que “se desmultiplica não só na dança, mas também noutras áreas que estão alicerçadas dentro da dança e são necessárias para a sua construção”. Desta pluralidade nasce a “ideia de construir um corpo de trabalho em conjunto”, com uma forte ligação à construção de redes e à comunidade.

“É esta a especificidade do festival: fazer com que tudo se torne um grande momento”, aponta Daniel Matos. “As pessoas entram no primeiro dia e há uma viagem contínua até ao último dia. A própria curadoria do festival é uma peça. É um momento especial que é uma totalidade.”

Desde a primeira edição que o Pedra Dura obedece à noção do corpo como base de trabalho. A curadoria não procura um tema específico, mas “o festival relaciona-se muito com o presente que vivemos”. “Este ano, isso é bastante claro na ideia de o corpo ser uma voz”, acrescenta o curador. “A primeira edição foi muito mais relacionada com instalarmo-nos no espaço. Este ano sentimos que é o corpo a reivindicar liberdade e uma voz de continuidade.”

De forma diferente do que aconteceu no passado, este ano o evento não conta com o apoio da Direção-Geral das Artes, o que “causou um transtorno gigante”. A organização foi obrigada a redimensionar o festival, que passou a ser também “um grito de continuidade”. “Estamos a seguir com menos de metade do financiamento, mas mesmo assim continuamos, em vez de desistirmos. A ideia de continuidade, de liberdade e de fala através do corpo é uma base central de comunicação”, declara Daniel Matos.

Voz livre

O Pedra Dura teve origem numa ideia da direção artística do Centro Cultural de Lagos, que pretendia organizar na cidade um festival de dança. A CAMA a.c., da qual fazem parte Daniel Matos e Joana Flor Duarte, foi chamada para a direção artística e curadoria.

No início, recorda o curador, o festival teria a duração de dois ou três dias, em modo de teste. “Essa primeira edição correu tão bem que quisemos continuar. E foi a um ritmo aceleradíssimo: na terceira edição do festival já tínhamos um festival de duas semanas com coisas a acontecer todos os dias, com salas esgotadas em Lagos, em novembro”, sublinha, “o que não é nada comum”.

O evento é coproduzido pela Câmara Municipal de Lagos, “o nosso maior parceiro, é um festival que faz parte da autarquia”, acrescenta ainda o coprodutor. “Termos a liberdade de poder programar e de ter uma programação de risco dentro de um espaço municipal é um privilégio. É um privilégio termos liberdade para ter esta voz e, mesmo assim, achamos que pode ser cada vez maior, e lutamos para que seja cada vez maior”, declara.

Obrigado a um redimensionamento, o festival tem crescido em parcerias, na construção de redes que, para a direção, são essenciais. Do ano passado vêm as ligações à Sardenha, em Itália, que resultam em residências artísticas. “Este ano também temos uma rede que foi iniciada com os Estúdios Victor Cordon, em Lisboa, com a Companhia Nacional de Bailado, também dentro desta lógica de cooperação e de residências artísticas, e de programação cruzada.” Existem ainda os parceiros locais, que são vários, da Casa Branca ao Grupo Coral de Lagos, passando pelo Centro de Ciência Viva, o Museu de Lagos ou o Laboratório de Atividades Criativas, entre outras entidades. “É uma rede que mantemos desde a primeira edição e temos estado a ampliá-la”, remata Daniel Matos.

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